TRADIÇÕES ORIENTAIS Imim 100 em sala de aula
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 28 de abril de 2008
Caroline Vicentini<br> Reportagem Local 
O ano de 2008 representa um marco histórico na trajetória das nações japonesa e brasileira. Neste mês de junho comemora-se 100 anos da chegada da primeira leva de imigrantes japoneses ao Brasil. Com 781 pessoas a bordo, o navio Kasato Maru deixou o porto de Kobe em 28 de abril de 1908 atracando em Santos no dia 18 de junho. Dos anos de sofrimento nas lavouras cafeeiras de São Paulo e Norte do Paraná aos dias atuais, a integração dos imigrantes à nova pátria trouxe um legado de tradição e cultura, além de contribuir para o desenvolvimento econômico nacional. Graças ao convívio com os imigrantes, muitos hábitos da cultura japonesa foram incorporados ao nosso cotidiano, através da culinária, arquitetura, artes, esporte, música, dança, religião.
Desde o início do ano escolas da Rede Municipal de Ensino de Londrina participam das comemorações dos 100 anos da imigração japonesa. Na Escola Municipal Eurides Cunha, Vila Recreio, os 270 alunos do pré a 4 séries estudaram temas relacionadas ao Japão em todas as disciplinas. Alunos das 3 e 4 séries foram desafiados a confeccionar 750 tsurus (grous) em origami (dobradura em papel) que decorarão a Expo Imim 100 Londrina, entre os dias 18 e 22 de junho, no Parque de Exposições Ney Braga. Segundo a diretora Leila Gransoti, as professoras pesquisaram a cultura nipônica e procuraram relacionar o seu legado com o cotidiano das crianças. ''Os alunos demonstraram curiosidade e trouxeram muitos questionamentos às professoras. Se viam uma reportagem relacionada ao assunto já a traziam para ser trabalhada em sala de aula. Os pais também contribuíram com as pesquisas'', ressalta Leila.
Dobrando aqui e ali, logo o papel tomou forma do pássaro japonês nas mãos de João Vítor Zarelli Santos, nove anos. ''Acho fácil origami. Já fiz vários tsurus'', conta. Já Geovanna Caroline Cardoso, nove anos, considera difícil a arte da dobradura em papel. De acordo com a professora de Educação Física Lucilene Fernandes Rodrigues, que recebeu orientação sobre o origami, inicialmente foi difícil desenvolver este trabalho tão delicado com os alunos. ''Eles têm a tendência de realizar movimentos mais amplos''. Porém, segundo a professora, rapidamente as crianças se entenderam com as dobraduras e já as confeccionam sozinhas. ''Elas trazem de casa os tsurus. Já recebi dobradura até em papel higiênico.''
Faixas na cabeça simbolizando a bandeira da Terra do Sol Nascente, os alunos aproveitaram uma manhã de sexta-feira para aprender mais sobre a história e costumes japoneses nas oficinas de origami, hora do conto sobre a lenda do tsuru contada por professoras vestidas de kimono, kanji (tipo de escrita) e exposição de objetos da cultura japonesa trazidos por eles.
Em uma sala da 3 série os alunos organizaram uma miniexposição sobre o país com objetos trazidos por eles: bonecos, quadros, utensílios de cozinha, roupas, origami e kirigami (técnica mista em que além de utilizar a dobradura no papel - origami - utiliza-se cortes - kiri) e reportagens. Kawane Caroline Moreira, oito anos, trouxe um dicionário em japonês e uma boneca que ganhou da tia. Ela também pesquisou a culinária japonesa. ''A base da culinária tradicional japonesa é o arroz, o peixe, o macarrão e legumes. Os ingredientes frescos são preparados com muito cuidado. Os pratos mais conhecidos são o sashimi (peixe cru), o moti (bolinho de arroz), o tempura (legumes envoltos em uma massa fina e fritos) e o sukiyaki (carne cozida com vegetais e coalho de feijão de soja (tofu), servido numa panela à mesa'', explica.
Pedro Henrique Moraes Correa, nove anos, pesquisou os rituais de uma instituição nacional - a cerimônia do chá (chanoyu). ''Dentre os objetos utilizados no ritual estão o natsumê (pote para guardar o chá), o hishaku (concha para água) e o chasen (misturador de chá)'', cita. Sobre a cultura japonesa opina: ''É muito diferente. Gosto das artes marciais e do origami. Desejo conhecer este país para saber se é tão diferente assim''.
Admiradora da cultura nipônica, Victoria de Souza Ladeira, oito anos, contou com desenvoltura o início da imigração japonesa e a lenda do tsuru. ''Aos 12 anos a garota Sadako Sasaki contraiu leucemia devido à contaminação pela radiação da bomba de Hiroshima. Ela passou a acreditar que se conseguisse dobrar mil tsurus alcançaria a cura. Sadako morreu antes de dobrar todos os pássaros. Amigos dobraram o restante a tempo para o enterro. Quem faz mil tsurus de origami, diz a lenda, tem um desejo realizado. Acho muito interessante aprender sobre o Japão na escola. Não sabia que em 2008 comemora-se 100 anos da imigração. Sei comer com hashi (os pauzinhos utilizados como talheres), aprendi a fazer origami... meus pais dizem que vou me casar com um japonês'', brinca.


