Tradição renovada
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Omar Godoy<br> Equipe da Folha 
Fenômeno do momento nos EUA e na Europa, o livro eletrônico - com tela de cristal líquido, memória para mais de mil títulos e bateria recarregável - não deu as caras na I Bienal do Livro de Curitiba, aberta até o dia 4 de setembro. Os interessados em portabilidade e novas tecnologias tiveram de se contentar com outras plataformas de conteúdo, como os audiobooks (leia box) e as versões eletrônicas da tradicional enciclopédia Barsa.
Editada no Brasil há anos 45 ininterruptos, a Barsa tem a difícil missão de sobreviver na era do Google, da Wikipédia e afins. Para isso, investe, desde o início da década, em seu portal na internet e produtos como DVDs, CD-ROMs e DVD-ROMs. Como a recente DVDteca do Meio Ambiente Barsa, um dos destaques do estande da empresa na Bienal.
O pacote, que traz mais de cinco horas de documentários sobre sustentabilidade, também inclui uma versão impressa em papel reciclado. Esta, aliás, é uma das estratégias da companhia: quase sempre apostar no livro físico, mesmo que o carro-chefe do produto seja digital.
Nós vendemos conteúdo, informação e conhecimento. Mas continuamos convictos da força do livro, afirma Hanna Neme, diretor operacional da Barsa nos estados do Paraná e Rondônia. Ele conta que a Barsa realmente perdeu mercado - e até representantes - durante dois ou três anos, quando a web começou a se popularizar. Lembro que muitos pais se orgulhavam de que os filhos já sabiam lidar com a internet, e não precisavam mais de livros, diz.
O início da guinada foi um disquete com todos os verbetes da enciclopédia, seguido de um CD-ROM. Tudo muito limitado, sem efeitos ou animações, como admite o próprio executivo. Com o tempo, novos produtos foram desenvolvidos, até o lançamento do Portal Barsa - disponível somente para quem compra a versão tradicional. Segundo Neme, o site não apenas traz todo o conteúdo dos volumes impressos como também uma infinidade de links para o resto da internet.
São links totalmente confiáveis. Temos uma equipe de editores que filtra e seleciona tudo, diz. E provoca: Jogue a palavra petróleo no Google e você vai ter mais de nove mil referências. Como uma criança de nove anos vai pesquisar o assunto sem se perder? Sem contar todo esse perigo de pedofilia que está por aí.
Argumentos de vendedor à parte, o fato é que a Barsa ainda aposta nos rincões do Brasil, onde nem toda a população tem familiaridade com as novas tecnologias. Chegamos onde ninguém chega. Seja por ar, terra ou rio, orgulha-se Neme, que iniciou a carreira como representante há 23 anos.
Nesse sentido, a figura quase folclórica do vendedor de enciclopédia, aquele que bate de porta em porta, ainda é importante para a companhia - líder absoluta do segmento no país, com mais de 90% do mercado. São cerca de 1.800 representantes espalhados por todo o Brasil, prontos para convencer os pais de que o livro ainda é a melhor fonte de pesquisa para os trabalhos escolares dos filhos. Como se vê, algumas coisas nunca mudam.


