Tradição religiosa tem celebrações marcantes
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terça-feira, 11 de abril de 2006
Adriana Moreira<br> Agência Estado 
São Paulo Muito mais que um motivo para se empanturrar de chocolate, a Páscoa tem uma tradição que remete, acredite, a milhares de anos antes do nascimento de Jesus. A festa tem origem no judaísmo: o Pessach (cujo significado é passagem), que marca a fuga do povo hebreu do Egito, comandada por Moisés, pelo Mar Vermelho. ''É impossível pensar em Páscoa no cristianismo sem pensar no Pessach'', afirma o professor de Teologia da PUC-SP Mário Sérgio Cortella. Jesus era judeu e praticante. A Santa Ceia seria, inclusive, a celebração do Pessach. Segundo o Novo Testamento, era costume libertar um prisioneiro na Páscoa, por aclamação popular. Em vez de Jesus, o povo escolheu Barrabás, condenando o Messias à morte na cruz.
No cristianismo, a Semana Santa relembra os últimos momentos de Jesus na Terra, sua prisão (Quinta-Feira Santa), morte (Sexta-Feira da Paixão) e ressurreição, que se tornou a Páscoa cristã. Segundo Cortella, a data da comemoração foi estabelecida durante o Conselho de Nicéa, no ano 325: o primeiro domingo após a primeira lua cheia da primavera (no Hemisfério Norte).
A simbologia da data está também ligada a costumes pagãos para comemorar o fim do inverno e o início da primavera, numa celebração à renovação da vida. O principal símbolo desse fenômeno, segundo Mário Sérgio Cortella, é o coelho. ''O coelho saltitante é o primeiro sinal da primavera e representa a fertilidade'', explica.
O costume de presentear os amigos com ovos coloridos tem a mesma origem e um significado bem semelhante. É considerado o símbolo da renovação da vida, e está presente nas tradições de muitos países.
Na Polônia, Ucrânia e Romênia os ovos transformam-se em verdadeiras obras de arte, tamanho o capricho das pinturas. Os búlgaros os cozinham e pintam após a missa da Quinta-feira Santa, enquanto os armênios os decoram com imagens de Jesus Cristo e Maria.
Mas de quem teria partido a deliciosa idéia de unir a simbologia do ovo com o sabor do chocolate? De acordo com Cortella, isso ocorreu depois do século 18. ''A nobreza européia confeccionava ovos de ouro, recheados de diamantes. A população adaptou o costume com algo mais econômico, primeiramente o açúcar e, mais tarde, o chocolate.'' Para ele, é essa mescla de costumes que faz da Páscoa uma festa ímpar, independentemente de religião. ''Ela expressa a capacidade de renovação e a vitória da vida sobre a morte'', diz o professor.
Mesmo com uma simbologia semelhante, os festejos da data pelo mundo são bem distintos. Selecionamos alguns destinos em que as celebrações são representativas do caráter do povo e atraem a curiosidade do resto do mundo. A popularidade da Cidade do Vaticano, a tradição medieval portuguesa expressa em Braga, o colorido e a emoção das manifestações na Guatemala e no Peru dois dos países mais católicos do continente e, como não poderia faltar, as encenações de Nova Jerusalém, no agreste pernambucano, além de outros expressivos festejos no interior do Brasil.


