São Paulo Muito mais que um motivo para se empanturrar de chocolate, a Páscoa tem uma tradição que remete, acredite, a milhares de anos antes do nascimento de Jesus. A festa tem origem no judaísmo: o Pessach (cujo significado é passagem), que marca a fuga do povo hebreu do Egito, comandada por Moisés, pelo Mar Vermelho. ''É impossível pensar em Páscoa no cristianismo sem pensar no Pessach'', afirma o professor de Teologia da PUC-SP Mário Sérgio Cortella. Jesus era judeu e praticante. A Santa Ceia seria, inclusive, a celebração do Pessach. Segundo o Novo Testamento, era costume libertar um prisioneiro na Páscoa, por aclamação popular. Em vez de Jesus, o povo escolheu Barrabás, condenando o Messias à morte na cruz.
No cristianismo, a Semana Santa relembra os últimos momentos de Jesus na Terra, sua prisão (Quinta-Feira Santa), morte (Sexta-Feira da Paixão) e ressurreição, que se tornou a Páscoa cristã. Segundo Cortella, a data da comemoração foi estabelecida durante o Conselho de Nicéa, no ano 325: o primeiro domingo após a primeira lua cheia da primavera (no Hemisfério Norte).
A simbologia da data está também ligada a costumes pagãos para comemorar o fim do inverno e o início da primavera, numa celebração à renovação da vida. O principal símbolo desse fenômeno, segundo Mário Sérgio Cortella, é o coelho. ''O coelho saltitante é o primeiro sinal da primavera e representa a fertilidade'', explica.
O costume de presentear os amigos com ovos coloridos tem a mesma origem e um significado bem semelhante. É considerado o símbolo da renovação da vida, e está presente nas tradições de muitos países.
Na Polônia, Ucrânia e Romênia os ovos transformam-se em verdadeiras obras de arte, tamanho o capricho das pinturas. Os búlgaros os cozinham e pintam após a missa da Quinta-feira Santa, enquanto os armênios os decoram com imagens de Jesus Cristo e Maria.
Mas de quem teria partido a deliciosa idéia de unir a simbologia do ovo com o sabor do chocolate? De acordo com Cortella, isso ocorreu depois do século 18. ''A nobreza européia confeccionava ovos de ouro, recheados de diamantes. A população adaptou o costume com algo mais econômico, primeiramente o açúcar e, mais tarde, o chocolate.'' Para ele, é essa mescla de costumes que faz da Páscoa uma festa ímpar, independentemente de religião. ''Ela expressa a capacidade de renovação e a vitória da vida sobre a morte'', diz o professor.
Mesmo com uma simbologia semelhante, os festejos da data pelo mundo são bem distintos. Selecionamos alguns destinos em que as celebrações são representativas do caráter do povo e atraem a curiosidade do resto do mundo. A popularidade da Cidade do Vaticano, a tradição medieval portuguesa expressa em Braga, o colorido e a emoção das manifestações na Guatemala e no Peru dois dos países mais católicos do continente e, como não poderia faltar, as encenações de Nova Jerusalém, no agreste pernambucano, além de outros expressivos festejos no interior do Brasil.

mockup