Nos últimos anos, as tradicionais Festas Juninas ganharam nova abordagem nas escolas municipais de Londrina. Isso porque as principais datas dessa época fazem referência a santos católicos. E, como o Brasil é um Estado laico (o que significa que o País deve ter uma posição neutra em assuntos religiosos, ou seja, não pode haver apoio ou discriminação a nenhuma religião), tiveram de se adaptar.
Para não perder o costume e quebrar a tradição dessa festa, assim como acontece com o Carnaval e Páscoa, escolas têm realizado um trabalho com enfoque na cultura popular. No caso das Festas Juninas, tornaram-se Festas no Campo. Para isso, as instituições resgatam, de diferentes formas – vídeos, imagens, pesquisas – o estilo de vida, roupas, alimentos e costumes na zona rural. O resultado é uma atividade em que os alunos assimilam o conteúdo de maneira que não agrida as crenças religiosas de ninguém.
No Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Anita Correia (região Sul), a equipe pedagógica realizou na semana passada uma série de atividades, de forma interdisciplinar, tendo como "gancho" a temática do campo. Segundo a auxiliar de supervisão, Wilza Carla de Oliveira, a escola possui cinco turmas, cada uma correspondendo a uma série do ensino infantil num total de cem crianças. "Com todos eles, trabalhamos com uma metodologia de projetos, em que cada turma escolhe, no início do ano, o que quer aprender. Eles elencaram, portanto, diversos temas, como animais, comida, cores, tipos de veículos. Nessa época de festa junina, abordamos, então, como são os animais do campo, que tipo de comida é servida no campo, quais são os meios de locomoção deles", explica.
Assim, os alunos puderam aprender, por meio de imagens, vídeos ou contação de história, sobre como todos esses itens são na zona rural. "As professoras mostraram as diferenças entre os animais domésticos, do campo e silvestres, de forma que identificassem as características físicas de cada um. No caso dos tipos de veículos, conheceram a diferença entre os carros urbanos, carroças e tratores." Já para as comidas, segundo a supervisora, as crianças foram introduzidas ao universo da zona rural tendo contato com alguns alimentos e práticos típicos. "Tiveram uma oficina de culinária em que ajudaram a produzir bolo de fubá e paçoca. Também fizeram pão caseiro, muito comum nas casas das famílias que vivem na área rural." Tudo o que foi feito pelos alunos foi servido na festa da escola, junto com muita pipoca, canjica e cachorro-quente.
Na semana da Festa no Campo, cada turma criou uma "estação" dentro da sala de aula, com brincadeiras de rua e jogos tradicionais dessas festividades. Entre elas, "Ovo na colher", "Dança da Cadeira", "Pesca com Peneira", "Bola na Lata", "Corrida com bexiga" e "Passa Chapéu". "É uma forma de resgatarmos atividades antigas e folclóricas que eles não têm mais contato no dia a dia. Essa iniciativa, inclusive, faz parte de nossa metodologia rotineira de socialização e para mostrar outras formas do brincar que vão além dos eletrônicos", complementa.
Para que a festa ficasse enfeitada, as bandeirinhas e balões também foram feitos pelas crianças. "As maquetes, cujos animais do campo foram produzidos com papel machê, são resultado de uma técnica que aprenderam na oficina de artes."
Depois de toda as atividades interdisciplinares, foi hora de aproveitar a festança e dançar quadrilha. Todas caracterizadas com roupas de caipira, as crianças puderam ver como eram realizadas as festas no campo e, enfim, provar as várias guloseimas e comidas típicas das quais, algumas, foram eles que fizeram. Ao final, ainda levaram de lembrança para casa um cavalinho de pau de garrafa pet confeccionado por eles próprios. "Quando eles participam de todo o processo, dão mais valor e assimilam o conteúdo de forma prática", finaliza Wilza.

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