Tradição do balé respira nas obras do Bolshoi
Érika Pelegrino
A mítica companhia de dança russa Ballet Bolshoi realiza uma turnê por sete cidades brasileiras. Raimonda e Spartacus, duas consagradas coreografias russas, estarão nos palcos do Rio de Janeiro, São Paulo, Recife, Salvador, Brasília, Belo Horizonte, Joinville e Curitiba. A estréia será no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, no dia 5 de maio. A turnê será encerrada dia 26 em Curitiba.
Depois de mais de uma década sem vir ao Brasil, a companhia vai trazer também programas especiais de gala, que reúnem trechos de balés como O Lago dos Cisnes, Don Quixote, A Bela Adormecida, Giselle, Talisman e Narcissus, entre outros.
Para estas apresentações, o Bolshoi virá com todas as suas grandes estrelas, incluindo os bailarinos Tsiskaridze, Allasch, Gracheva, Peretokin, Petrova, Semizorova, Filin, Klevtsov, Belogolovtsev e Antonitcheva. A companhia, sediada em Moscou, é considerada, juntamente com o Kirov, a origem do balé russo, tornando-se referência do balé clássico em todo o mundo.
São mais de dois séculos de história. A trajetória do Bolshoi teve início em 1776 pelas mãos de estudantes universitários, que começaram improvisando na casa de um de seus membros. A primeira sede foi construída quatro anos depois na Rua Petrovsky, que inicialmente também deu nome ao teatro.
Durante sua história, o prédio sede sofreu dois incêndios. O primeiro em 1805. Só em 1824 a companhia conseguiu reconstruir sua sede, batizada de Bolshoi Petrovsky. Em 1853, ocorreu novo incêndio. Desta vez a sede foi restaurada pelo arquiteto Albert Kavos e reaberta em 1856.
No início de sua trajetória, o Bolshoi tinha em seu repertório balés e dramas, caracterizando-se mais como uma companhia de ópera. Na década de 40 do século 19, o repertório do balé se ampliou com óperas de Mozart, Rossini, Donizetti, Bellini, Auber e outros, que dividiram espaço com as produções de Mikhail Glinka, fundador da música clássica russa, destacando-se Ivan Sussanin, em 1842, e Rustan e Ludmila em 1846.
A partir de 1856, o Bolshoi entrou em uma nova fase. Grandes óperas de Tchaikovsky - Eugen Onegin, A Dama de Espadas, Mazeppa e Iolanta e O Quebra-Nozes, entre outras - tornaram-se recordistas do repertório do teatro.
A tradição do balé russo teve início ainda no século 19. Neste período, uma das produções mais representativas foi o balé A Papoula Vermelha de GliSre, que estreou em 1927. Em seguida outros clássicos da literatura russa foram transformados em balé: A Fonte de Bakhchissarai (1936) e O Prisoneiro do Cáucaso (1938), ambos de Assafiev, baseados em obras de Pushkin.
Na década de 50 iniciou-se a carreira internacional da companhia. Já a década de 60 foi marcada por uma profunda mudança estética sob a direção artística do coreógrafo Yuri Grigorovich. Entre suas inúmeras criações estão: A Flor de Pedra (1959), Uma Lenda de Amor (1965), A Sagração da Primavera (1965), Carmen (1966). Sua obra-prima, o épico Spartacus, foi concebida em 1968.
Realizando cerca de 280 espetáculos anuais para um público de 2 mil pessoas por noite, o Teatro Bolshoi mantém viva a tradição e a força criativa da cultura russa apresentando um sólido repertório formado por 25 óperas e 25 balés. Seus mais de 900 artistas, entre cantores, bailarinos, atores, músicos e mímicos, fazem parte de um impressionante universo de 2.500 pessoas que trabalham para manter a grandiosidade e a qualidade da produção artística de um dos mais belos e imponentes teatros de todo o mundo





