Tradição: comunidade nikkei celebra 2025 com sopa da sorte
Comemoração acontece na Acel, no domingo (5). Ozoni é o prato que integra as celebrações para receber o ano novo com paz, harmonia e união
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 03 de janeiro de 2025
Comemoração acontece na Acel, no domingo (5). Ozoni é o prato que integra as celebrações para receber o ano novo com paz, harmonia e união
Walkiria Vieira 

Saudar o Ano-Novo é um ato universal. Povos do todo o mundo possuem o seu modo de comemorar a chegada do novo ano e principalmente de recebê-lo. O Dia da Confraternização Universal, em 1º de janeiro, é marcado por rituais de passagem e costumes que enaltecem tradições com significados peculiares. Comum a todas as culturas é o desejo de união entre os povos, paz e prosperidade. Mais do que simples troca da "folhinha do mês" ou mudança de calendário, a virada de um ano é para muitos também um momento de virada da vida.
Cercado de esperanças, promessas e expectativas, o ano que começa é também momento de faxina, limpeza nos cômodos, gavetas e de de deixar para trás o que não faz mais sentido e não cabe neste ano novinho em folha.
Na tradição japonesa, o ano só começa após a realização de uma cerimônia chamada de Shinnen Haiga Shiki, que conta com uma cerimônia budista com a presença de um monge, um brinde com saquê e a degustação de Ozoni, sopa reconhecida por diferentes gerações e pela sua fama de trazer bons agouros.
Primeiros imigrantes
De acordo com o vice-presidente da Acel (Associação Cultural e Esportiva de Londrina), Luciano Matsumoto, a cerimônia integra a comunidade nikkei (descendentes nascidos fora do japão) à tradição de seus antepassados e ao ano que se inicia. "Procuramos manter a prática iniciada pelos primeiros imigrantes que aqui chegaram", relata. Um dos maiores desafios, a cada novo ano, é atrair os jovens para esse momento. "Nosso objetivo é perpetuar essa tradição. Primeiro temos a missa budista e na sequência um brinde com saquê e a degustação da sopa, que é a primeira refeição feita pelos japoneses".

Nessa perspectiva, uma das estratégias para dar sequência ao costume é a participação dos jovens em todo o processo. Além de participar do cerimonial, os jovens atuam como voluntários no preparo do mochi (bolinho à base de arroz socado) e ingrediente principal da sopa.

"Em outros eventos, como a Expô Japão, temos a confirmação da perpetuação da cultura japonesa por meio da participação dos mais jovens nas atividades artísticas e culturais bastante atrativas para toda a família", cita Matsumoto.
Juventude
Ele explica ainda que a presença da juventude, desde o preparo do mochi até a confraternização do novo ano, serve para que entendam e apreciem suas origens, valores e também despertem a curiosidade acerca da riqueza da cultura japonesa.
A presidente executiva da Acel, Luzia M. Yamashita Deliberador, convida a todos para o evento que prioriza o bem comum de modo simples. "Fazemos a cerimônia para comemorar o ano que está entrando. Uma reza, um incenso, um brinde, a sopa e as boas-vindas", resume.

Deliberador explica que o motivo de o evento ser no primeiro domingo do ano é para permitir a reunião de mais pessoas. "Quando fazíamos exatamente no dia 1º de janeiro, muitas pessoas estavam em compromissos familiares e a data era inviável".
A mudança para o primeiro domingo do novo ano tem conquistado mais pessoas. "Ano passado foram 183 presentes e é um momento muito bonito em que damos a palavra para o convidado mais velho. Para essa cerimônia já estamos com um número positivo de confirmações. Ano passado, a palavra e o brinde foram feitos por Atsushi Yoshii, quando estava com 85 anos de idade e ele nunca falta".

A inclusão dos jovens desde o preparo do alimento e a valorização do convidado mais velho para saudar o Ano-Novo confirmam o quanto eles valorizam o seu passado e também têm olhos para o futuro. "Pedimos então para que os interessados (em participar da festa) entrem em contato porque sabendo o número de pessoas, fazemos uma preparação de acordo", ratifica.
Em 2025, a Acel completa 70 anos de atividades e a presidente estima que esta cerimônia seja a 60ª Shinnen Haiga Shiki. A decoração típica no salão social se soma à festividade com emblemas alusivos à data. Mais do que estética, um trabalho que vai ao encontro dos pensamentos positivos. "Celebramos a união, a prosperidade, a harmonia e a paz", ratifica Deliberador. Ela lembra que o modo de servir o prato é cercado de significado e cada ingrediente e sua disposição fazem sentido para a cultura nipônica.
De acordo com tradição, quem faz a degustação do Ozoni é agraciado com muita sorte por todo o ano. O prato contém mochi como ingrediente principal e itens que podem variar e ter diferentes versões, dependendo da localização. Alga kombu e katsuobushi (lascas de peixe curado e seco) e legumes como cenoura fazem parte da preparação comum.
Ozoni, em japonês, significa “vários ingredientes cozidos juntos”. Com ingredientes leves e de fácil digestão para toda a família, a refeição representa também o senso de coletividade. "Colorida e bastante apresentável, a sopa é bastante atrativa esteticamente e saborosa, como toda a culinária japonesa", diz Deliberador.
SERVIÇO
Celebração do Ano-Novo
Quando: domingo (5), às 9 horas
Onde: ACEL - Rod. Major Achilles Pimpão Ferreira, 2300
Entrada gratuita
Confirmar presença pelo telefone (43) 99653 1853


