Se é difícil acompanhar as tendências da moda certamente se deve à sua principal característica: a efemeridade. Tudo muda muito rápido e se você não fica atento logo, logo está ‘‘fora de moda’’. Não é o caso dos quimonos japoneses. O milenar traje típico do Japão – usado até hoje – ainda segue as tendências lançadas em suas origens.
As estampas mudam – muito pouco – mas a essência é a mesma. Na noite de quarta-feira, o público presente ao desfile promovido pela Casa Japão/42ª Exposição Agropecuária da Acel pôde ter uma rápida noção do vestuário nipônico.
De quimonos infantis e adultos, foram apresentadas as variações para o dia-a-dia e os mais elaborados, com belíssimos tecidos estampados – em geral, em seda. Um quimono para uma solteira é diferente do modelo usado por uma senhora casada – as mangas são mais compridas. Um recato a mais.
Logo em seguida surgiram os três modelos em papel criados em parceria da artista plástica Kioko Morita e o arquiteto Rodrigo Mendonça. Desde os guetás (chinelos de dedo) à sombrinha, tudo foi confeccionado em papel. A inspiração era meio nipônica (quimonos), meio brasileira (fuxicos).
Na terceira parte do desfile, alguns esportistas da cidade apresentaram para o público seus uniformes. Estiveram representados o beisebol, o softbol, o aikidô e até mesmo o sumô – mas que veio com uma leve alteração do traje oficial das lutas: uma bermuda básica para não deixar o fio dental à la Japão aparecer totalmente na passarela.
A parte final ficou por conta das criações coletivas dos alunos de Estilismo em Moda da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Coordenados pelo professor e estilista Nélio Pinheiro, os alunos – divididos em pequenos grupos – fizeram pesquisas em livros, revistas de mangás e até figurino do teatro kabuki.
Mesmo com toda a visão ocidental sobre trajes orientais, as criações dos alunos mostraram sintonia moderna. Dobras de tecidos inspiradas nos origamis (dobraduras em papel) e amarrações vindas dos obis (faixas dos quimonos) foram as grandes inspirações da noite.
A bandeira japonesa também foi bem representada transformando o branco e o vermelho nas cores mais usadas, ao lado do preto. O único modelo em jeans trouxe para a passarela uma inspiração nos samurais. Nem mesmo a carpa – peixe japonês – foi esquecida. Estampou uma túnica negra seguindo as linhas retas dos peixes que decoram a entrada do Centro de Eventos.
Em momento lúdico, a calça justa e o redingote armado com barbatana em vermelho e branco tinham influência nos heróis dos quadrinhos nipônicos. Os olhos brilhantes dos desenhos não foram esquecidos na maquiagem assinada pela equipe de Lincoln Tramontini.
Leia mais sobre a Casa Japão 2002/42ª Exposição Agropecuária da Acel na página 2

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