Tradição aprimorada
Zeca Corrêa Leite
De Curitiba
A cerâmica e porcelana japonesa, de origens fincadas em séculos passados, será o tema da próxima exposição da Casa Andrade Muricy, em Curitiba, a partir do dia 11. Porém, o que está vindo para cá são 70 peças assinadas por 35 artistas da nova geração. Se por um lado eles dão continuidade à tradição da arte, por outro constroem novos caminhos.
O título Cerâmica e Porcelana do Japão A Geração Emergente, deixa claro que o interesse do evento é propiciar ao público uma ampla vitrine daquilo que está sendo feito hoje, muito embora a contemporaneidade não anule a influência que cada região exerce sobre seus criadores. Isso ocorre desde os tempos mais remotos, daí que a exposição terá peças agrupadas de acordo com as respectivas localidades.
As regiões de Seto e Mino destacam-se na exposição com maior número de peças pelo que elas representam para o setor desde os tempos antigos. São os centros produtores mais importantes do país. No século 19 eles se abriram às influências das técnicas e materiais utilizados na Europa, intensificando ainda mais a sua indústria. Nem por isso extinguiram-se os ceramistas que seguem os conceitos das escolas tradicionais.
Não há tensões de disputas por espaços entre um estilo e outro. Todos convivem em harmonia nesta mostra promovida pela Fundação Japão, com apoio do Consulado do Japão em Curitiba e Secretaria de Estado da Cultura. A beleza dos trabalhos estende-se por todo o acervo e deverá encantar o público. Mas sob as formas e aparências dos objetos, esconde-se uma grande variedade de técnicas.
Alguns exemplares dão a ilusão da vitrificação, enquanto outros têm uma textura que remete ao barro e ao acrílico. Os motivos desenhados nas peças vão de flores e frutos a pássaros e abstracionismo, e trazem a marca inconfundível do traço sutil e delicado no qual os orientais são mestres.
Os ceramistas fixados ao redor de Tóquio têm uma relação diferente com a cidade. Não há raízes fincadas na ancestralidade, pelo simples fato de que a capital jamais possuiu tradição como local produtor de cerâmica. Afinal, seu solo não é o mais apropriado para esse fim, o preço das terras é caríssimo, e ainda existem as restrições ambientais urbanas.
Porém, a metrópole é o centro econômico e social do país e isso pesa nas decisões. Os ceramistas são atraídos a ela pelo grande número de faculdades de arte, pelas instituições de educação artística e pela presença de apreciadores de cerâmica, entre outros motivos. Mas, quando vão instalar seus fornos, os profissionais buscam espaço nos subúrbios. Aqueles que têm suas bases em Tóquio, seguem uma ampla variedade de estilos.
Para a mostra que já percorreu o Japão e faz sua itinerância por algumas capitais brasileira, foram selecionados os artistas mais ativos do Japão. A curadoria não se preocupou com o direcionamento de produção ela é diversificada.
Cada qual vale-se da sua linguagem e da maneira como entende a arte, seja reconstruindo e aprimorando a tradição, ou partindo para propostas que visam justamente libertar-se dos parâmetros seculares. Há quem crie objetos de arte, e há quem busque a função prática da cerâmica na vida contemporânea. São pontos de vista que remetem a várias direções, e formam o feixe que é a essência da mostra que ficará durante quase um mês na Casa Andrade Muricy.
Cerâmica e Porcelana do Japão A Geração Emergente. Exposição reúne 70 peças mostrando as tendências da arte japonesa. Casa Andrade Muricy (Alameda Dr. Muricy, 915). Abertura dia 11, às 19h30. A mostra pode ser vista até 8 de març, de terça a domingo, das 10 às 22 horas. Ingressos: R$ 3,00 e R$ 1,00 (estudantes).





