Para a maioria dos católicos, a Sexta-feira Santa, celebrada amanhã, é sinônimo de orações e jejum. Sem poder comer carne vermelha, a opção é quase sempre o peixe. E por conta de uma antiga tradição, o bacalhau torna-se o prato principal. Mas para quem come a mesma bacalhoada há anos e não sabe bem o porquê, o livro do jornalista norte-americano Mark Kurlansky pode ser uma luz no fim do túnel.
Ex-pescador, Kurlansky é o autor de ‘‘Bacalhau – A história do peixe que mudou o mundo’’, da Editora Nova Fronteira. O livro traça um perfil do peixe desde a época dos vikings até os dias atuais, quando trata da pesca predatória, responsável pela redução drástica da espécie que já foi uma das maiores fontes de riqueza e alimentos do mundo antigo.
Além de fazer a trajetória histórica do bacalhau – que teve nos Bascos os pioneiros da comercialização, o livro também não deixa de apresentar receitas, desde as mais antigas (datadas da Idade Média) às mais exóticas. Kurlansky faz um passeio por quatro continentes em busca de receitas. O Brasil é lembrado com o bacalhau com leite de coco. Mas não faltam pratos europeus e até africanos.
De acordo com o autor, a carne do bacalhau quase não tem gordura (0,3%) e é composta de cerca de 18% de proteína, um índice alto até mesmo para um peixe. E quando o bacalhau é seco, os 80% de água se evaporam e a proteína se concentra ainda mais. E para quem se acostumou a só comer o filé, Kurlansky lembra que do bacalhau praticamente tudo se aproveita. ‘‘A cabeça é mais saborosa que o corpo, especialmente a garganta’’, afirma.
• ‘‘Bacalhau – A história do peixe que mudou o mundo’’, de Mark Kurlansky. Editora Nova Fronteira. Preço médio: R$ 30,00.

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