Traços, cores e palavras
Mario CésarKaren Alvares: trabalho direcionado
para a cultura de seus ancestraisEm algumas regiões da Rússia as mulheres solteiras deixam o cabelo crescer, amarrando-os em tranças. As madeixas crescem até o casamento, quando são cortadas. Detalhes como esse da cultura russa atravessaram gerações, alcançaram o Paraná e se refletiram nos quadros da arquiteta Karen Rachel Alvares.
O resultado é uma coletânea de traços, objetos, cores e palavras eslavas que se multiplicam na tela com estilo próprio. Neta de russos, Karen Alvares se interessou pela cultura eslava durante aulas de artes plásticas no ateliê de Yoshia Nakagawara.
Eu comecei a desenvolver um trabalho de criatividade e pesquisa e resolvi direcioná-lo para os elementos de uma cultura que está dentro da família, comenta a arquiteta. Apesar do embasamento teórico desenvolvido com pesquisas, o trabalho assumiu um caráter espontâneo, de brincadeira. O pessoal tem um pouco de preconceito com artesanato e estilos decorativos, mas eu gosto e pretendo usá-los ainda mais acrescenta Karen.
Tons pastéisAté então o trabalho de Karen era mais contido, baseado em tons pastéis. As cores fortes, presentes na cultura russa, surgiram com o aprendizado de trabalhar com liberdade, em contraste com a luz. O resultado ficou meio explosivo, nervoso, acrescenta.
Embora já possua um certo desenvolvimento, a artista garante que ainda tem muito o que aprender, e que o processo de produção não é nada fácil. Principalmente porque paralelamente ao trabalho nervoso, que oscila entre o figurativo e o abstrato, Karen ainda revela uma linha em que mistura sinais personalíssimos de suas preferências.
Essa segunda linha de trabalho contrasta bastante com a primeira, apresentando técnica e colorido diferentes. A tendência é mesclar as duas vertentes para ver o que dá.
Karen conheceu Yoshiya Nakagawara ainda durante a infância, mas o contato professora-aluna ocorreu durante a faculdade de arquitetura. Yoshiya ministrou um curso sobre aquarela, Karen participou e resolveu esperar por uma vaga no ateliê para continuar as aulas.
Hoje sinto mais prazer na pintura que na arquitetura, poderia largar tudo só para pintar e me aprofundar no artesanato. Esse tipo de trabalho também influenciou grandes nomes, como Miró, Paul Klee e Kandinski, que têm uma estética bem consolidada, celebra a artista.





