Trabalho, vida e transformação no exterior
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terça-feira, 24 de abril de 2007
Da Redação 
Jovens universitários e um desejo comum: trabalhar fora do País por um período determinado. Essa experiência é cada vez mais frequente entre brasileiros que estão na faculdade e têm a oportunidade de participar de programas de trabalho no exterior. Tão comum que muitos já repetiram a dose e carregam ainda a vontade de repetir a façanha. É claro que a adaptação a uma nova cultura exige flexibilidade e abertura. Viver sem ''arroz com feijão'' e o carinho de parentes e amigos não é tão simples, mas os ganhos pessoais e até financeiros superam essas adversidades.
Quem garante é Camilla Ribeiro Correia e Silva, 23 anos, estudante de Direito na Unopar. Ela já foi duas vezes para Dubois, em Wyiming, pela Central de Intercâmbio (CI) e viveu situações totalmente inusitadas para um brasileiro. ''O que mais estranhei foi a alimentação. O que raramente vemos aqui, víamos lá, como por exemplo uma velhinha de 80 anos comendo hambúrguer e fritas de almoço. Era como ver minha avó comendo fast-food, o que realmente não combina'', diz a estudante.
Na primeira experiência, Camilla trabalhou como waitress, housekeeping e bartender, repetindo a função de bartender na segunda visita aos Estados Unidos. Durante o período de trabalho, ela juntou dinheiro e pôde realizar alguns desejos. ''No ano passado consegui fazer a viagem dos meus sonhos. Além de passear pelos Estados Unidos, fiz mochilão na Europa. Já esse ano eu quis juntar dinheiro para comprar meu carro'', enumera.
Priscila Stawski Rambalducci, 22, estudante de Administração de Empresas da UEL, descreve a experiência de trabalhar no exterior como ''maravilhosa''. O destino, como ela mesma denomina, foi para a cidade ''onde tudo acontece'': Los Angeles. A vida dela já é agitada em Londrina, onde também cursa Engenharia Elétrica, na Metropolitana. Nos Estados Unidos não podia ser diferente.
O Starbucks Coffee, considerada a maior rede de cafeteria do mundo, foi o local onde Priscila trabalhou por três meses. ''Fiquei fascinada com a determinação e o profissionalismo das pessoas que trabalham lá'', salienta.
Os estudos de Priscilla ganharam uma força extra nessa viagem. Ela teve a oportunidade de fazer a pesquisa de conclusão do curso de Administração junto a alunos de graduação da Universidade de Califórnia, com o apoio da professora Mônica de Arruda Almeida, que é brasileira e leciona na instituição americana. E ela indica: ''Se alguém desejar fazer qualquer pesquisa lá, fique sabendo que o pessoal é muito receptivo e prestativo''.
O também estudante de Administração de Empresas na UEL, Rafael Martins, 20, foi trabalhar em uma cidadezinha chamada Keneebunk e morava em Weels, ambas no estado de Maine, nos Estados Unidos. Ele explica que o trabalho era em uma praça de alimentação que fica na highway (estrada interestadual americana) e que ele atuou em diversas funções, como pizzaiolo e atendente de caixa. ''Foi uma das experiências mais gratificantes da minha vida das quais nunca me esquecerei'', declara.
O estudante recorda que no início passou por uma fase de adaptação cultural que envolveu alimentação, hábitos e valores diferentes. ''Os americanos realmente comem hambúrguer no café da manhã, no almoço e no jantar'', sentencia. Como a maioria dos brasileiros, a alimentação foi a parte mais difícil da adaptação de Martins. ''Arroz com feijão realmente faz falta'', admite.
Os pontos positivos foram enormes e por isso Rafael já planeja outro intercâmbio para o fim do ano. ''Se possível, quero retornar para a mesma cidadezinha no desconhecido estado de Maine, que tem como lema 'Maine, o jeito que a vida deve ser'''.
Assim como Camilla, Aline Januário, 23, fez o intercâmbio de trabalho para Dubois. Ela também estuda Direito na Unopar e trabalhou como garçonete em Guest Ranch, lugar que ela compara como um ''tipo de hotel fazenda''. Foram três meses de trabalho difíceis de traduzir em palavras. ''Não dá para descrever tudo o que aconteceu lá. É uma experiência que com certeza fará um grande diferencial na minha vida'', assume.
Entre os ganhos pessoais, Aline cita que hoje tem mais paciência, entende que as pessoas não são iguais e aprendeu a ''se virar'' sozinha.
Aluno de Artes Visuais na Unopar, Jobert Castro, 20, trabalhou no Burguer King, em Wells. ''Nunca poderia imaginar tudo o que vi e vivi em apenas três meses. Isso sem falar no inglês, que com certeza melhorou muito''.
Castro recorda que as duas primeiras semanas foram difíceis, principalmente porque teve que se adaptar a se comunicar em outra língua. ''Mas com o jeitinho brasileiro, que todos nós temos, fui me adaptando, a comida foi ficando boa e os colegas de trabalho viraram amigos'', aponta. No final do ano uma nova viagem deve surgir na vida do estudante. ''Quero voltar, com certeza'', salienta.
Serviço:
- Quem tiver interesse em conhecer os programas de trabalho no exterior pode entrar em contato com a Central de Intercâmbio pelo telefone (43) 3321-0203.


