DivulgaçãoEspetáculo ‘‘Cria’’, que estreou no último final de semana em Londrina e agora segue em turnê pelo NordesteO trabalho sério e inovador do Ballet de Câmara da Cidade de Londrina começa a render frutos. Depois do estrondoso sucesso da estréia do espetáculo ‘‘Cria’’, apresentado no Cine-Teatro Ouro Verde no último final de semana, a companhia está, ainda que timidamente, recebendo o respeito que a cidade lhe deve há tempos. Isto pode ser comprovado com um fato que deveria ser corriqueiro mas que, para o grupo, representa uma conquista: o Ballet de Londrina embarca, nesta segunda-feira, em um avião com destino a Fortaleza, onde começa a primeira etapa da turnê nacional, no dia 4.
Segundo o diretor do Ballet, Leonardo Vítor Ramos, a novidade veio em boa hora. ‘‘Ela é um símbolo, uma questão de respeito. Quem acha que é luxo desnecessário, é porque nunca teve que enfrentar três dias de viagem em um ônibus e, no dia seguinte, dançar com as pernas inchadas. E ainda ter que fazer bonito porque é o nome de Londrina que estamos levando’’ - diz.
As passagens aéreas - que até antes da estréia eram apenas um sonho - foram conseguidas através da intermediação da agência de turismo Ilha do Mel junto à Varig, que fez um plano de parcelamento especial para o grupo. ‘‘Além disto, tivemos a boa notícia que a agência da Varig, em Londrina, vai destinar parte do ISS para o Ballet, através da Lei de Incentivos à Cultura’’ - comemora.
Fila com carnê As duas apresentações do espetáculo também renderam outras boas notícias para o grupo. Na primeira apresentação, no sábado à noite, pela primeira vez na história do Ballet na cidade, foi necessário dispensar público na porta do teatro. ‘‘O Ouro Verde tem capacidade para 917 pessoas sentadas. No primeiro dia colocamos 1190 na casa. Outras 60 pessoas que estavam na portaria tiveram que voltar para casa, já com os ingressos comprados para o segundo dia, porque não cabia mais ninguém no teatro. Na segunda apresentação havia mil pessoas. Isto, em termos de Londrina, nunca tinha acontecido antes’’ - explica.
Além disto, a enorme receptividade com que o público recebeu ‘‘Cria’’ também gerou outro fato inédito. Na segunda-feira seguinte, na porta do Centro Cultural Igapó, onde funciona a Escola Municipal de Dança, havia fila de pessoas interessadas em doar IPTU para o Ballet. ‘‘Foi uma coisa assombrosa. Esta semana recebemos, em média, 80 pessoas no Centro Cultural com o carnezinho de IPTU na mão para saber como doar, às vezes, R$ 4. Mas só o fato de enfrentarem ônibus para irem até lá apenas para contribuir foi muito significativo para nós. Isto mostra que nosso público está nos vendo com simpatia e empatia’’ - afirma.
Mas, para Ramos, o melhor de tudo foi a reação do público diante do espetáculo. ‘‘Muita gente chegou depois para mim e falou que viu sua infância no balé, que era meu objetivo’’ - conta. No cadastro, que a maioria do público preencheu após o espetáculo, os comentários registrados também foram animadores. ‘‘A maioria escreveu que o espetáculo foi magnífico, que nunca poderia acreditar que aquilo existisse’’ - comenta.
Embora tais reações o deixem naturalmente envaidecido, Ramos acredita que o principal é que elas podem significar o começo de uma nova perspectiva para a companhia e para a cultura londrinense em geral. ‘‘A gente tem que deixar a vaidade de lado e dar ênfase aos resultados de todo um trabalho. E os resultados são as Escolas Municipais e é o Ballet de Londrina. Que estréia numa cidade do interior é notícia do Vídeo Show (programa nacional da Rede Globo)? Nós somos’’ - finaliza.

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