Vinte e nove telas em acrílica e 16 gravuras compõem a exposição ''A Natureza por Expressão'', da artista plástica curitibana Violeta Franco, que abre hoje, às 20 horas, no Museu de Arte do Paraná, com curadoria do paranaense Fernando Bini, professor de Estética e História da Arte e crítico de arte.
A mostra traz quadros dos anos 60 e 70, quando a artista retratava nas figuras humanas a sua grande admiração pelo expressionismo no cinema e na pintura alemã. Uma outra série tem como tema a exuberância das cores brasileiras, em enormes folhagens, animais agressivos e pássaros.
Esta exposição é resultado de anos de trabalho, pesquisa e, principalmente, da vivência de Violeta Franco. ''Minha trajetória passou pela ditadura, perda de amigos, de muita tristeza e também de muita alegria. Toda esta mistura, no caldeirão da vida, sou eu e o meu trabalho'', diz.
Violeta Franco, segundo o curador da exposição Fernando Bini, entrou para o mundo das artes plásticas muito cedo, como por acaso, mas seu período de aprendizado foi muito intenso e apaixonado, pois só se torna um grande artista com paixão. Curitiba era uma pacata vila e os projetos dela iam muito além do que o ambiente provinciano poderia oferecer. A insatisfação e o conflito com o tradicional aparecem logo pelas leituras que faz, e fornecem as bases para sua paixão pelo expressionismo alemão presente desde as primeiras obras.
Foi Guido Viaro quem primeiro lhe orientou na pintura mas, foi o curso de gravura que Poty Lazzarotto deu em Curitiba quando de seu retorno de Paris, que determinou o caminho que Violeta seguiria. Ambos são pioneiros da tendência expressionista dominante na Curitiba dos anos 50, ligados à figuração subjetiva, centrado no homem, e tratam com violência formal os fatos do cotidiano. Assim para ela, pintura significa liberdade e gravura, disciplina.
Através do curso de Poty, Violeta Franco conheceu o grupo dos jovens artistas paranaenses, alguns deles alunos da recém criada Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Violeta instalou então o seu ateliê na garagem da casa de seus avós, denominado ''Garaginha'', propício para as discussões artísticas e intelectuais que questionavam os movimentos artísticos.
Aberto o espaço, deixa o movimento de renovação nas mãos de outros companheiros para continuar sua formação em São Paulo. Lá frequentou cursos do Museu de Arte de São Paulo e inicia pintando retratos mostrando sua fascinação pela figura humana.
Desde 1964, ainda em São Paulo, começaram suas pesquisas sobre a flora brasileira, com base na ocupação de seu pai que era geólogo e naturalista. Depois conheceu Burle Marx. Em 1970, voltou para Curitiba trazendo então um obra madura.
A partir dos anos 90, suas cores ficam mais suaves, mais lúcidas e transparentes. A artista inventou uma escritura plástica que tem seu universo de formas e símbolos encontrados na cor, no grafismo e na composição.
Maria Violeta Franco de Carvalho, nasceu em Curitiba, em 1931.
Iniciou em desenho e pintura em 1948 e em 1950 frequentou o curso de gravura, com Poty. Em 1958, estudou História da Arte no Instituto de Arte e Decoração do Museu de Arte de São Paulo. Fundou a Escolinha de Arte em São Paulo. Dirigiu o Centro de Pesquisas e Informações do Museu Guido Viaro e o Atelier de Gravura de Criatividade de Curitiba. Atuou como coordenadora responsável pela Documentação do Centro de Pesquisa da Casa da Gravura, no Solar do Barão, Curitiba. Realizou várias exposições individuais em Curitiba e outros estados brasileiros. Participou de inúmeras coletivas e salões de artes, no Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, entre outros.
Exposição ''A Natureza por Expressão'', de hoje, às 20 horas, no Museu de Arte do Paraná (Rua Kellers, 289 - Alto do São Francisco), ao dia 25 de novembro, de segunda a sexta-feira, das 10 às 16 horas e aos sábados e
domingos, das 10 às 16 horas. Entrada franca.

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