TRABALHO COMUNITÁRIO - Vida e conhecimento de mãos dadas
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terça-feira, 25 de novembro de 2003
Fernanda Bressan<br> Reportagem Local 
Nem só de números, letras e fórmulas é construída a vida estudantil de crianças e adolescentes. Buscando resgatar valores e criar momentos que ampliassem a visão de mundo de seus alunos, o Colégio Universitário uniu dois projetos que já existiam na escola e criou um espaço para que os 317 estudantes do 2º ano do ensino médio interagissem com a comunidade através de trabalhos voluntários.
O resultado enriqueceu a vida tanto dos estudantes do Universitário quanto dos auxiliados por eles. Desde outubro, eles estão colaborando no trabalho de cinco instituições: Escola Estadual Nilo Peçanha, Escola Estadual Nossa Senhora de Lourdes, Escola Estadual Dario Velloso, Creche Boa Esperança e ONG Viver. A supervisora pedagógica do ensino médio do Universitário, Verlaine Ferraresi Danieli, conta que levar o alunos a exercerem a cidadania, a solidariedade e o sentimento de cooperação está entre os objetivos do ''Projeto Vida'': ''O desenvolvimento de valores entre os alunos está dando o feed-back para nós'', aponta.
No Nilo Peçanha, o trabalho é dirigido para as 4 e 5 séries além da turma de educação especial. A estudante Mariana de Oliveira Lanaro, 16 anos, explica que eles aplicam várias brincadeiras para desenvolver o conhecimento dos estudantes dessas séries. ''Fazemos jogos com matemática, português para ajudar na dificuldade deles'', detalha. Para a ela, a experiência está sendo maravilhosa. ''Teve uma turma que participou das atividades pela última vez essa semana, eles até choraram'', recorda. Segundo ela, sem perceber, os alunos estão aprendendo com as brincadeiras. ''E a gente também está se divertindo'', completa.
Entre os estudantes do Nilo Peçanha o sorriso durante as atividades é constante. Francine Nagay Yamassato, 11 anos, conta que as brincadeiras são bem divertidas e ajudam no aprendizado. ''Antes tinha algumas capitais (dos estados do Brasil) que eu não sabia e agora eu já sei'', salienta. Seu companheiro de sala João Paulo Pereira dos Santos, 10 anos, também aprovou o trabalho dos estudantes. ''De vez em quando na aula eu ficava desatento e com eles é mais gostoso'', confessa.
A professora de inglês do Universitário, Andrea Lins Marquezi, acompanha os alunos durante as visitas. Para ela, seus alunos têm aprendido muita coisa com a experiência. ''Eles conhecem outras realidades e há um resgate de valores e sentimentos'', descreve. Ela destaca que o contato com a turma de alunos especiais foi muito importante porque a maioria deles nunca tinha vivenciado essa realidade. ''Desenvolve o lado humano e quebra preconceitos'', ressalta.
Elisa Faria é a professora responsável pelos 10 alunos especiais atendidos na escola e está satisfeita com a ajuda. ''Eu sou só uma para atender dez e com eles está dando para dar um atendimento mais individualizado como eles precisam'', afirma. Ela acrescenta que seus alunos gostam de mostrar o que sabem e que o ajuda dos adolescente tem sido um estímulo no trabalho.
Andreia Adaniya, 16 anos, faz parte do grupo que atua na sala especial. Ela nunca tinha entrado contato com portadores de necessidades especiais antes e revela que se ''apaixonou'' pela turma. O grupo se dividiu e vai diariamente à escola para dar continuidade ao trabalho. Andreia assume que teve que exercer a paciência durante o trabalho com eles. ''Tem que ter dedicação e determinação. Para eles se soltarem tivemos que insistir porque no começo eles ficaram um pouco quietos'', relata. Mas o esforço tem valido a pena: ''São valores que ficam para a vida'', resume.
A supervisora de ensino da escola Nilo Peçanha, Élbia Retamera Porto Lopes, salienta que o trabalho trouxe crescimento para todo mundo. ''Os adolescentes conheceram outra realidade e para nossos alunos houve um crescimento na busca pelo conhecimento'', declara. A intenção das escolas é que a parceria continue no ano que vem. Tanto Élbia quanto Andrea afirmaram que ele será desenvolvido e o objetivo é aumentar o número de turmas antendidas.


