Trabalhar com arte, sem ser artista
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quarta-feira, 05 de novembro de 2008
Denise Ribeiro<br> Equipe da Folha 
Viver da arte é o desejo de muita gente, em especial, quando se é jovem. Mas trabalhar com arte não significa necessariamente ser artista. Para alguns jovens o caminho até a produção artística passa pelo estágio acadêmico como monitores de grandes museus, como o Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba. Lá, eles aprendem sobre a dinâmica das exposições, sobre as diferentes formas do que se chama arte e sobre como transmitir esse conteúdo a públicos diversos.
''Começa a abrir nossos horizontes para o que a gente não conceituaria como algo artístico. E na medida em que o museu nos abre os olhos a gente tenta fazer isso com as outras pessoas. Mas sempre explicamos que existem diferentes interpretações do mesmo trabalho'', conta a monitora Rafaela do Rocio, aluna do curso de História. Também participam estudantes dos cursos de Artes Visuais, Pintura, Escultura, Educação Artística, Turismo e Design, de várias instituições de ensino. ''A gente troca culturas, isso é enriquecedor também'', afirma a monitora Elaine Cristina Senko.
Para quem pergunta se eles não se cansam de repetir várias vezes a mesma coisa, Aline Pianaro Batista explica que cada dia é um dia diferente porque o público nunca é o mesmo. ''Outro dia acompanhei um grupo de deficientes. Eles ficaram muito felizes por todos terem chegado à sala de exposição. Tive que me segurar para não chorar'', lembra a veterana Aline, monitora do MON há um ano. O estágio dura seis meses mas pode ser prorrogado. ''Não é só para a vida acadêmica, mas para a vida. Falar para universitários como nós, para os seus iguais, também é um desafio. É uma grande escola'', completa a estudante.
Grupos de idosos e de crianças também estão entre os públicos atendidos pelos monitores. ''Aqui vêm famílias com crianças muito pequenas, e a gente está formando nosso público futuro. Eu cresci em museus e gosto de colaborar com o interesse das pessoas em conhecer a instituição museu'', avalia Juliana Regina Pereira.


