Na hora da prova, o chef Adilson vai poder contar apenas com a ajuda de Rodrigo Lacerda, um auxiliar de 19 anos. ‘‘Há uma regra que o assistente deve ter menos de 22 anos, por isso chamamos Rodrigo, que trabalha comigo no Intercontinental’’, conta o David Joubert.
Rodrigo está empenhado em cortar os ingredientes o mais rápido possível para que Adilson ganhe tempo na elaboração dos pratos. Eles vão ter de preparar um cordeiro inteiro, uma peça de mais ou menos 25kg, além do robalo. ‘‘Se perder um minuto apenas já vai prejudicar no resultado final. Os pratos têm de ficar prontos em cinco horas, nem um minuto a mais ou a menos, senão perco pontos’’, diz Adilson. ‘‘E o pior deste concurso é isso, é uma prova contra o relógio, o que gera muito estresse’’, avalia.
Além de Adilson, Halles Willians (que ficou em segundo lugar) também participa dos treinos, ele não pode atuar como auxiliar porque tem mais de 22 anos. ‘‘É tudo difícil, um treinamento intensivo para chegarmos a perfeição. Mas a pressão maior é em cima do Adilson’’, revela. Halles é paulista, mas mora no Rio de Janeiro, onde trabalha, e por acaso é vizinho de Adilson, que é carioca. Halles trabalha no Hotel Sofitel Rio Palace.
A equipe brasileira é formada por 16 pessoas e o capitão é o francês David Joubert, chefe de cozinha do Hotel Intercontinental. ‘‘Vamos levar 250 quilos de equipamentos. Neste tipo de competição são os detalhes que fazem a diferença. E no nosso caso é o sotaque brasileiro’’, conta o capitão. A equipe vai embarcar para França no dia 17 de janeiro.
‘‘Fiquei em êxtase quando ganhei o concurso (Nestlé Toque d’Or 2000) que escolheu o representante brasileiro, batalhei muito por este sonho’’, diz Adilson. Ele frisa que hoje ser chef de cozinha tem muito glamour. ‘‘Antes ninguém valorizava o cozinheiro, hoje não, é uma profissão valorizada pelo público e todos nos respeitam’’. Na seletiva brasileira, Adilson preparou as receitas de robalo com perfumes da Bahia e carré de cordeiro em crosta de ervas provençais.

mockup