Townshend está sob suspeita de praticar pedofilia
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sexta-feira, 17 de janeiro de 2003
Didier Saltron<br> France Presse 
Londres -Outro que deu o que falar neste início de ano foi o guitarrista do grupo de rock britânico ''The Who'', Pete Townshend, detido na segunda-feira à noite dentro de uma investigação contra supostos pedófilos, e liberado sob fiança, pouco depois da meia-noite.
''Townshend foi interrogado pela polícia ao anoitecer. Não foi acusado de absolutamente nada e foi liberado sob fiança até uma data na qual terá, eventualmente, de responder a perguntas'', declarou numa nota o advogado do guitarrista, John Cohen.
''Ele volta para casa para descansar. Está cansado, mas bem'', disse Cohen aos jornalistas na frente de uma delegacia do Sudoeste de Londres, onde Townshend esteve detido. O músico deixou a delegacia depois de ter sido interrogado por 80 minutos, afirmou seu advogado.
Townshend admitiu ter pago para entrar num site americano de pornografia infantil, mas garantiu que seu único objetivo era se informar sobre o assunto para ajudar a combatê-lo.
Apesar de seu nome não ser muito conhecido pelo grande público, Pete Townshend, 57 anos, está entre os grandes nomes do rock dos anos 60-70, assim como Bob Dylan, John Lennon, Paul McCartney, Mick Jagger e Keith Richards.
Townshend é a alma do The Who, grupo que, ao lado dos Beatles, Rolling Stones e Kinks, foi um dos principais responsáveis pela revolução pop dos anos 60.
Nascido em 19 de maio de 1945, no bairro londrino de Chiswick, em uma família de artistas - sua mãe era cantora e o pai saxofonista -, Townshend apaixonou-se na adolescência pela música negra americana. À frente do conjunto The Detours, que se transformou no The Who, interprentou canções dos grandes nomes da música negra americana, como Bo Diddley e James Brown, antes de se revelar um letrista e compositor de primeira, em 1965. A música ''My Generation'' contém um dos versos mais conhecidos da cultura rock, o célebre ''Hope I'll Die Before I Get Old'' (''Espero morrer antes de envelhecer'').
O cantor Roger Daltrey era o símbolo sexual do The Who, mas o comando do grupo, formado ainda pelo baterista Keith Moon e o baixista John Entwistle, estava nas mãos-de-ferro de Townshend.
Depois de acumular os sucessos ''I Can't Explain'' e ''The Kids Are Alright'', em 1965, e ''My Generation'', em 1966, Townshend criou em 1968 ''Tommy'', sua grande obra. O álbum duplo, que teve um sucesso estrondoso e foi levado ao cinema (Ken Russell), é uma ópera-rock que narra a vida de um jovem surdo, mudo e cego que passa por diversos traumas. Misticismo, reflexões sobre o poder e as armadilhas da glória, denúncia de manipulação psicológica: todos estes ingredientes serviam à imaginação fértil do músico.
Townshend enfrentou vários problemas devido à dependência de drogas e álcool. Costumava incluir em suas canções temas polêmicos, às vezes de forma provocante. ''Mary Anne with the Shaky Hand'' e ''Pictures of Lily'', nos anos 60, falavam de masturbação. ''I'm a Boy'', sobre o problema da identidade sexual.
The Who evocou o tema pedofilia no álbum Tommy, na canção ''Cousin Kevin'', uma das poucas que não foi escrita por Townshend, mas por Entwistle.


