Porto Alegre - Catarina Palse andava com ar sedutor pelas ruas da Porto Alegre de 1863. Descendente de alemães, esbelta, de lábios carnudos e olhos verdes, era cobiçada por quase todos os homens da cidade, que tinha lá os seus 20 mil habitantes e começava a crescer consideravelmente.
  O Theatro São Pedro fora inaugurado apenas cinco anos antes, em 1858 – e o Mercado Municipal, em obras, estava nascendo. Em Porto Alegre, tudo ia muito bem, apesar do mau cheiro das ruas de terra batida e iluminadas com lampiões de óleo de peixe.
  Naquele período, porém, a Câmara Municipal decidiu desativar os tais lampiões, por causa do odor e da fuligem que espalhavam. Restava, então, apenas a luz do luar para guiar os transeuntes nas noites da cidade, freqüentadas por homens em busca de sexo.
  Usando poucas palavras, Catarina sempre convencia um novo parceiro a acompanhá-la até a sua casa, no número 27 da Rua do Arvoredo. Sedentos pela beleza da moça, eles iam, mesmo que soubessem da fama daquele lugar – diziam que era mal-assombrado...
  Também temiam o marido da loira, o robusto e mal-encarado José Ramos, ex-policial e dono do açougue que funcionava no local e crescia junto com o comércio da cidade. Seu produto de maior sucesso: uma certa lingüiça especial...
  Depois da noite de amor, Catarina dava a seus convidados um verdadeiro banquete, preparado cuidadosamente com queijos, vinhos e... a lingüiça. Eles comiam fartamente. E ela, vendo-os satisfeitos, batia levemente o garfo no copo. Era um sinal.
  As vítimas nem imaginavam que havia um porão bem debaixo de seus pés – e que, nesse momento, uma porta se abriria, fazendo-as despencar por quase três metros até o chão, onde estava José Ramos.
  O brutamontes executava os homens de sua mulher com uma machadada na testa e, depois, os degolava. Como bom açougueiro, desgrudava as carnes dos ossos para vendê-las.
  A lingüiça especial do açougue de José Ramos existiu, de fato, e fez um sucesso enorme em Porto Alegre, transformando os moradores em verdadeiros canibais. Depois de os crimes serem desvendados, a população quis esquecer aquela história, que foi resgatada pelo jornalista David Coimbra no livro ‘‘Canibais, Paixão e Morte na Rua do Arvoredo’’ (ed. L± 264 páginas).

Igreja das dores
  A Igreja de Nossa Senhora das Dores, no centro histórico de Porto Alegre, começou a ser construída em 1833 e demorou quase cem anos para ser concluída. A lenda diz que a obra foi ‘‘amaldiçoada’’ por um escravo inocente, acusado de ter roubado o colar da imagem de Nossa Senhora das Dores. Antes de ser enforcado, ele disse que as torres da igreja cairiam três vezes e a construção nunca ficaria pronta.
  Cinco meses após a morte do escravo, as duas torres foram ao chão... Hoje, uma placa indica que a igreja está em reforma. (L.F./Agência Estado)

mockup