Tour do Brasil para o mundo de carro
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
Lucas Frasão<br> Agência Estado 
São Paulo - Medo de que algo dê errado na fronteira, falta de tempo e, principalmente, a pouca informação disponível sobre o assunto faz com que os turistas brasileiros nem cogitem viajar de carro para outros países. Mas a empreitada, principalmente na América do Sul, pode ser mais fácil do que se imagina - sem mencionar a liberdade para fazer rotas e horários mais adequados.
Foi pensando nessa tal liberdade que a designer Milena Issler, 29 anos, embarcou em quatro aventuras por países próximos. Nos últimos três anos, ela rodou mais de 44 mil quilômetros - e acaba de voltar de Ushuaia, na Argentina. ''Cruzar as fronteiras foi muito mais tranquilo do que eu esperava'', lembra Milena. ''Mas os guardas na Argentina têm fama de que costumam pedir uma grana.''
Certa vez, ao ser parada em um rodovia do país para fiscalização, a designer fingiu ser jornalista para escapar de uma propina. ''Estava na cara que o policial queria dinheiro, mas eles têm medo da imprensa.''
Em todas as viagens - nunca sozinha, é bom dizer -, Milena usou um Land Rover Defender, mas garante que um 4x4 não é necessário em trajetos como o que fez. ''O caminho até o Deserto do Atacama é quase todo asfaltado. Juro que você consegue ir de Uno Mille e até de Fusca.''
A bordo de um Corsa 1.0, o diplomata mineiro Felipe Lemos, 24, foi com mais três amigos até o Chile, em janeiro de 2004. Os 9 mil quilômetros, em um mês de estrada, deixaram boas histórias - e outras que poderiam ter sido evitadas.
''Não foi tão simples como a gente imaginava na fronteira com o Uruguai'', afirma Lemos. ''Devíamos ter um seguro para entrar, mas era domingo e não havia nenhum banco aberto para pagar a taxa.'' Os amigos esperaram um bom tempo e acabaram cruzando a fronteira sem o seguro.
''As fronteiras do Brasil são uma vergonha'', afirma Milena. ''Se você não desce para carimbar o passaporte, ninguém pede nada.'' Ela lembra, no entanto, que é bom estar sempre com o documento em mãos, mesmo que ele não seja obrigatório em alguns países. Outra boa precaução é ter a Carta Verde - um seguro que faz parte de um acordo do Mercosul e pode ser pago antes de deixar o Brasil. Cobre danos materiais e pessoais.
Antes de encarar a estrada, informe-se sobre as leis de trânsito dos locais visitados.
SERVIÇO
- Tenha a documentação em dia. Se o veículo estiver alienado ou em nome de terceiros, é preciso ter autorização (do banco ou dono) e validar nos consulados - alguns cobram uma taxa.
- A Carta Verde pode ser conseguida com o corretor de seguros. O plano mais simples custa cerca de R$ 48 por três dias.
- A Permissão Internacional para Dirigir (PID) é emitida pelo Detran (www.detran.pr.gov.br) e é obrigatória no Peru, Chile, Venezuela e Bolívia. A CNH precisar estar válida e há uma taxa de R$ 163,68.


