'Totalmente Inocentes' faz paródia aos filmes de favela
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quinta-feira, 13 de setembro de 2012
Joao Fernando <br> Agência Estado 
São Paulo - Sem fazer esforço, Fábio Porchat provoca risos. Mas o que seria um mérito para o humorista foi motivo de dor de cabeça para ele ao dar vida ao traficante Do Morro do filme ''Totalmente Inocentes''. ''Quando chegava nos ensaios, riam de mim, mas tinham de ter medo. Eu dizia que ia matar todos e, mesmo assim, eles riam'', relembra o ator.
No longa, o primeiro do diretor Rodrigo Bittencourt, Do Morro dá um golpe em Diaba Loira (um travestido Kiko Mascarenhas) para tomar o controle da favela; ele faz de tudo para tornar Gildinha (Mariana Rios) a primeira-dama da comunidade, mas ela não lhe dá a menor bola. Da Fé (Lucas D'Jesus), melhor amigo de Bracinho (Gleison Silva), é outro apaixonado pela musa do traficante, e acredita que precisa se tornar um bandido perigoso para conquistá-la.
Há, ainda, a missão de Vanderlei (Fábio Assunção), repórter e fotógrafo de uma revista sensacionalista, que está atrás de uma entrevista exclusiva com o novo dono do morro. Ele vê em Gildinha, sua estagiária, a chance de se aproximar do bandido ''com complexo de Dinamarca'', como ele mesmo define.
De volta a Porchat, para convencer os companheiros de cena a ficarem incomodados com a presença de um vilão diante das câmeras, ele criou uma técnica. ''Eu ria de tudo o que eles faziam. Isso os deixava irritados'', relembra ele, que não para de fazer graça nem quando não está atuando. ''Sou aquele tio chato do Natal que fica falado 'pavê ou para comer'. Faço piada o tempo todo. Minha mulher diz que as pessoas riem por pena'', debocha.
Quem não viu motivo para sorrir foi Mariana Rios. Em uma das cenas, a atriz intérprete de Gildinha se torna refém de Do Morro e fica com uma fita adesiva na boca. ''Aquilo me deu um pouco de nervoso. Eu não sabia que não dava para gritar. Nunca havia passado por essa situação'', conta ela.
Apesar de já ter estado em uma favela, Porchat diz que os dias no morro Dona Marta, zona sul do Rio, local das filmagens, foram únicos. ''Eu nunca tinha convivido lá. Dessa vez, comi em casas de pessoas de lá. As crianças pediam para pegar nas armas de ouro do personagem'', diz Porchat. ''Os meninos do elenco vivem em comunidade. Só posso falar que eu também tive uma infância difícil no Morumbi'', faz graça.
Referências e humor trash - Em meio às confusões amorosas, ''Totalmente Inocentes'' faz piadas com a relação entre traficantes e policiais em referências explícitas a ''Cidade de Deus'' - o nome da favela fictícia é DDC, um anagrama da sigla comunidade que batiza o longa de Fernando Meirelles - e ''Tropa de Elite''.
''Fiquei pensando no que foi feito no cinema depois das pornochanchadas e dos filmes do Didi. Vi que era uma brecha para o que estava faltando'', diz Rodrigo Bittencourt. O fato de se atrever à sátira dos filmes de favela preocupou as produtoras Mariza Leão (''De Pernas Pro Ar'') e Iafa Britz (''Nosso Lar'').
''Existe uma cobrança em cima da gente, de ter de acertar sempre. Mas os produtores têm a função de trazer novos talentos'', avalia Iafa. Com orçamento de R$ 3,5 milhões, ''Totalmente Inocentes'' está sendo lançado com cerca de 100 cópias, todas digitais, para reduzir os custos.
As menções aos filmes se estendem à escalação do elenco. Leandro Firmino, o Zé Pequeno de ''Cidade de Deus'', e Fábio Lago, o Baiano de ''Tropa de Elite'', formam a dupla de policiais militares Tranquilo e Nervoso, respectivamente, que têm personalidades opostas de seus nomes. ''Sempre sonhei em fazer um PM. Com aquela farda quente deve ser horrível trabalhar. É impossível o cara não se estressar'', brinca Firmino.


