Apreciador de vinho desde a década de 70, Alcides Carvalho decidiu aprofundar seus conhecimentos sobre a bebida e fez um curso de sommelier. Há dez anos, ele concilia a atividade com a carreira de professor universitário. "O sommelier cuida da qualidade do vinho e de sua harmonização com diferentes tipos de comida. Mas esse universo é tão rico que quanto mais se estuda sobre ele, mais a gente tem consciência do pouco que sabe. Afinal, a produção de vinho tem mais de oito mil anos", argumenta com modéstia.
Antes mesmo de obter o título concedido pela Associação Internacional de Sommeliers, Carvalho já produzia vinhos artesanalmente em sua residência. "Produzo vinhos desde 1978. Geralmente faço cerca de 600 garrafas por ano com as uvas cultivadas na propriedade da Casa Müller. Depois utilizo as mesmas técnicas para a produção em grande escala na vinícola", explica.
O processo utilizado por Carvalho é totalmente artesanal e inclui a esmagação das frutas com os pés. "Esse método é ideal porque os pés não quebram as sementes da uva. Já as máquinas esmagadeiras podem quebrá-las e deixar o vinho amargo se não estiverem devidamente ajustadas para o tamanho da sementes", afirma.
Em uma ambiente climatizado em sua residência, Carvalho mantém exemplares raros de vinhos de diversos tipos, cores, sabores e idades. "Naturalmente o vinho é seco. A grande maioria dos vinhos doces têm adição de açúcar, que altera seu sabor e propriedades, com exceção daqueles produzidos com uva moscato branca, que é naturalmente adocicada", ressalta
O sommellier salienta que é possível introduzir pedaços de madeira nos recipientes onde os vinhos são armazenados. "As madeiras propiciam sabores e aromas diversos na bebida. O interessante é que o vinho nunca tem cheiro de uva. Durante as fermentações a bebida pode ficar com vários aromas, como os que lembram chocolate, derivados de leite e até defumados. Isso vai depender do terroir(características da terra onde a uva foi cultivada), das interferências climáticas e dos ingredientes acrescentados no processo de fermentação", afirma.
Para apreciar todas as características da bebida, Carvalho diz que o vinho deve ser apreciado primeiro com os olhos, depois com o nariz e finalmente com a boca. "Primeiro é importante analisar a cor do vinho. Se estiver com coloração acastanhada, parecida com a cor da casca de cebola, o vinho possivelmente está estragado. Para sentir todos os aromas que o vinho traz é importante mexer a bebida na taça para perceber as várias nuances. E na hora de beber, o primeiro gole serve para lavar a boca. Após fazer um bochecho com a bebida, somente a partir do segundo gole é possível perceber todo o seu sabor", ensina o sommelier. (M.R.)

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