Rio, 21 (AE)- Um total de 16 filmes nacionais, com lançamento previsto para os três primeiros meses de 2000, receberá verba o Ministério da Cultura (Minc) para a distribuição, exibição, divulgação e publicidade. Cada filme receberá R$ 125 mil, num total de R$ 2 milhões, por meio de um convênio firmado com a distribuidora Riofilmes, da prefeitura do Rio, criada em 1992 e responsável pela comercialização de 80% da produção nacional.
Dos filmes, dois estréiam em 1.º de março: "Castelo Rá-Tim-Bum", de Cao Hamburger, e "Hans Staden", de Carlos Alberto Pereira.
"A distribuição é etapa mais estrangulada da produção cinematográfica nacional", comentou o secretário de Audiovisual do Ministério da Cultura, José álvaro Moyses, ao anunciar hoje de manhã o convênio.
"Esta verba servirá para todas as etapas da comercialização, da feitura de cópias à publicidade nos meios de comunicação, sem esquecer a produção de trailers." Moyses explicou que o critério para selecionar os filmes foi pragmático. "Escolhemos as produções que estão prontas para estrear porque, nesse primeiro momento, em que estamos experimentando uma nova forma de lançar os filmes, não quisemos complicar o processo." Foram vistos em uma ou duas capitais dois filmes, com bom retorno de público: "Santo Forte", de Eduardo Coutinho, e "Oriundi", de Ricardo Bravo.
Agora, eles receberão mais cópias para serem lançados em várias cidades ao mesmo tempo. A distribuição é a maior falha do cinema brasileiro, especialmente depois que a produção foi retomada, em meados dessa década, em virtude das leis de patrocínio, especialmente a do audiovisual. Dependendo do tamanho da produção, um filme brasileiro estréia com um número entre cinco e 60 cópias, enquanto as grandes produções norte-americanas vêm com cerca de 150. A mídia, impressa ou eletrônica, também favorece estes filmes, cuja metade do orçamento vai para a comercializalção.
"Não queremos impedir o trabalho deles, mas vamos fazer o nosso, pois há setores fundamentais para a cultura brasileira em que o Estado precisa intervir", esclareceu Moyses. "Esse trabalho terá continuidade porque uma parte da bilheteria dos filmes reverterá para um fundo administrado pela Riofilmes e para os produtores se capitalizarem." O presidente da Riofilmes
José Carlos Avellar, não precisou quanto os filmes brasileiros gastam em distribuição e exibição. "Essa quantia está em função do público a ser atingido, do tipo de filme e de onde vêm os recursos para esse ítem", explicou ele. "Mas os 16 filmes beneficiados pelo convênio não terão só esse dinheiro para fazer seus lançamentos." Os filmes selecionados pelo Minc são "Hans Staden", "No Coraçaõ dos Deuses", "Oriundi", "O Dia da Caça", "Iremos a Beirute", "Santo Forte", "Fé", "As Gêmeas", "A Terceira Morte de Joaquim Bolívar", "Castelo Rá-Tim-Bum", "Bossa Nova", "A Hora Marcada", "Reunião de Demônios" e "Cruz e Souza - O Poeta do Desespero".

mockup