Tortura psicológica e ação
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quinta-feira, 09 de outubro de 1997
Guto Barra Planet Pop/AE 
ReproduçãoMel Gibson na pele de Jerry Flechter: um motorista de táxi que só vê conspiraçãoMel Gibson volta aos cinemas ao lado do time responsável pelos três filmes da série Máquina Mortífera. O ator está ao lado de Julia Roberts em Teoria da Conspiração (em cartaz em Londrina nos cines Vila Rica e Catuaí 3, em Maringá nos cines Aspen Park 2 e Maringá e em Curitiba no Cine Plaza 3, Curitiba 3, Água Verde 1, Curitiba 6, Cine Lido 2 e Cine Plaza). Gibson vive um motorista de táxi paranóico que enxerga um complô em cada canto. Embora a produção tenha sido planejada para capitalizar o sucesso de Gibson e sua equipe, é Roberts quem está ganhando mais atenção, ainda por causa de seu megahit My Best Friends Wedding - uma das maiores surpresas do verão nos Estados Unidos.
A atriz faz o papel de uma advogada do departamento de justiça que vira o ponto de interesse de Gibson - sempre formulando novas teorias de conspiração. O problema é que uma delas acaba sendo verdadeira e eles vão parar nas mãos de Patrick Stewart, um inescrupuloso psiquiatra da CIA. A idéia era juntar a ação de Máquina Mortífera, mas contar com um nome de peso para o papel feminino. Precisávamos de alguém que não fosse só ingênua, mas que pudesse realmente fazer uma diferença, diz o produtor Joel Silver.
Para convencer Roberts, além do cachê de US$ 12 milhões, foi necessário muita insistência. Mel Gibson, Joel Silver e o diretor Richard Donner receberam a atriz em um quarto de hotel e fizeram a proposta. Ela gostou, mas pediu para pensar até o dia seguinte. O trio pressionou Roberts até que ela dissesse sim na mesma hora, dando o sinal para uma banda marcial entrar pelo quarto fazendo estardalhaço. Eram 30 músicos esperando no quarto ao lado, se ela tivesse dito não teria sido um vexame, disse Silver à revista Time Out. Roberts foi convidada depois que Jodie Foster negou o trabalho.
TorturaGibson, que embolsou US$ 20 milhões pelo serviço, não teve um tratamento tão especial. Ele foi obrigado a fazer todas as cenas de tortura sem poder contar com dublês. Em uma delas, o ator ficou preso de cabeça para baixo com os olhos abertos por fita crepe com uma luz estrobo piscando em frente ao seu rosto. O público tem que sentir a dor de Gibson, diz o diretor. Eu nunca submeti um ator a tanta dor psicológica.
Em uma das sequências mais difícieis, ele contracenou com um robô que é uma cópia perfeita de Stewart, tendo que morder e arrancar um pedaço do nariz enquanto a máquina se debatia e gritava. O stress emocional no set foi tão grande que, em uma certa altura, as filmagens tiveram de ser interrompidas e Gibson ganhou um dia de folga.
Mesmo com o trabalho duro, o ator não reclamou das filmagens de Teoria da Conspiração. Ele diz que, comparadas aos problemas de produção de seu filme Coração Valente - que lhe rendeu um Oscar de direção no ano passado -, as cenas de tortura pareciam férias. Adoro filmar em Nova York e não ser obrigado a comer sanduíches gelados durante meses, diz ele.
Se as cenas de ação parecem tentar resgatar o clima de Máquina Mortífera - Gibson já se comprometeu em fazer a quarta parte da série por um suposto salário de US$ 25 milhões -, o personagem dele é diferente. Ele é um nerd completo, que não consegue nem organizar seus pensamentos, diz Gibson. Ele é muito desengonçado para Roberts e está com o cabelo péssimo todos os dias. A expectativa é que, mesmo com seu pior penteado de todos os tempos, Gibson consiga arrecadar cerca de US$ 100 milhões ao lado de Roberts.


