Nelson Sato
De Londrina
O experimentalismo, que já foi chamado de progressivo no passado, ganhou rótulo novo nesta década: pós-rock. A banda Tortoise, de Chicago (EUA), foi a primeira a receber a tarja da crítica e a primeira da turma a trazer os novos sons ao Brasil.
O grupo chega hoje ao País com a turnê promocional de seu álbum ‘‘TNT’’. Poderia ter vindo há dois meses. Pelo seu perfil, cairia como uma luva no palco de ‘‘novas tendências’’ do festival Free Jazz. A excursão inclui shows em Belo Horizonte (leia box nesta página) e dias 15 e 16 no Sesc-Pompéia em São Paulo.
A banda tem três discos gravados e mais um CD de remixes, todos pelo selo independente Thrill Jockey Records. Seu trabalho foge completamente dos padrões atuais do rock americano, sem qualquer conexão com as já desgastadas guitarras movidas a pedal, misturas de metal pesado com hip hop ou hardcore combinado a ska.
As composições são instrumentais, evocando influências que vão do jazz de vanguarda ao rock alemão dos anos 70 (krautrock) e das vertentes eletrônicas às correntes contemporâneas da música erudita passando ainda pela obra do compositor brazuca Tom Zé. Tom Zé participará dos shows como contrapartida de sua excursão pela América, em setembro, quando foi acompanhado pela banda em seis cidades.
Tortoise é formado por John McEntire (guitarras), Doug McCombs (baixo), Jeff Parker (teclados), Dan Bitney (multiinstrumentista) e Johny Herndon (vibrafone, xilofone e programação). De todos, McEntire talvez seja o mais conhecido por ter produzido discos de bandas pop-experimentais como Stereolab e Trans Am e trabalhado na trilha sonora do filme Reach the Rock, de John Hughes.
Para o público brasileiro, a oportunidade de vê-los ao vivo deveria ser motivo de festa, assim como o lançamento por aqui de ‘‘TNT’’, seu último disco. O CD chega às lojas pelo selo mineiro Motor Music.

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