Torres Del Paine, o coração da Patagônia
O Parque Nacional Torres del Paine é considerado pelos chilenos o mais famoso cartão-postal da Patagônia. Depois de conhecê-lo, fica fácil concordar com eles. Situado no extremo sul do país, no coração do território patagônio, região de Magalhães, reúne picos nevados, lagoas de água pura e cristalina, bosques de carvalho e grandes geleiras em seus 242 mil hectares. Isso sem contar mais de 150 espécies de animais. Os mais fáceis de serem avistados são os guanacos. Observam-se também emas, raposas, gambás, cisnes de pescoço preto, gansos selvagens, flamingos, condores e até pumas, com um pouco de sorte.
Torres del Paine fica especialmente atrativa no verão. Clima agradável, com temperaturas que chegam a 20ºC, sol e vento fortes. Os dias são longos, perfeitos para o turista aventureiro. Vamos passear? São muitas as atrações dentro e nos arredores do parque. Mas para aproveitar a maioria delas é preciso bom preparo físico. A pé, até a Geleira Grey, por exemplo, são oito horas. Impressionante, a obra da natureza tem 15 milhões de anos e é uma língua do chamado Campo de Gelo Patagônico Sul.
Se caminhar é muito, relaxe. É possível vê-la navegando. De caminhonete chega-se até a Guarderia Grey, cruza-se uma ponte sobre o Rio Pingo, para depois andar um pouco por um bosque de carvalhos centenários. Por entre as árvores, descobre-se a paisagem quase mágica. Uma grande lagoa cheia de icebergs e uma praia enorme de areia e pedras. Ao fundo, a gigantesca parede de gelo se debruça sobre as águas, subindo montanha acima.
A bordo do Pochongo, um pequeno e moderno barco construído especialmente para encarar gelos e ventos fortes, os viajantes chegam até poucos metros do paredão Grey, tendo a chance de ver grandes desprendimentos de gelo, que caem na água como em câmera lenta com estrondo. De cara com essa maravilha, a tripulação então distribui copos com pedaços do gelo da lagoa, para que todos provem um puro e verdadeiro uísque ''on the rocks''. Se pensarmos que a maior glaciação patagônia foi há um milhão de anos, estaremos bebendo um uísque ainda mais antigo que os de 12 anos ditos no rótulo.
Outra possibilidade de excursão mais puxada, porém é o misto de cavalgada e caminhada até a base das torres que dão nome ao parque. O passeio dura quase o dia todo. Primeiro: duas horas a cavalo por uma trilha íngreme, de mato baixo. Até aí, vamos bem. Mas ao atingir o Campamento Chileno, as bestas sorriem enquanto comem grama e bebem água. Chegou a hora de o turista mostrar sua coragem. A trilha, uma subida, é coberta de cascalho, o que dificulta ainda mais a jornada.
Depois de uma hora e meia, aparecem as imponentes Torres del Paine, três maciços de granito com uma altura media de 2.600 metros, aos pés de uma lagoa. É o momento de sentar e admirar em silêncio a obra perfeita da natureza. Provavelmente, olhando o cenário incrível, você perceberá que o motivo da viagem estará consumado.





