Estréia hoje, no Espaço Cênico, uma peça de Ibsen, com todas as nuances de luz e sombra do autor. ‘‘O Pequeno Eyolf’’, drama envolvendo amores desnorteados, revoltas e arrependimentos, será encenado pela Tormenta Cia. de Artes, formada pelos alunos que participaram de dois cursos de teatro promovidos pelo Espaço.
Embora o enredo gire em torno de Eyolf, este é o personagem que menos aparece em cena. O que permanece é a sua sombra asfixiante. Isto porque, quando bebê, sofreu uma queda e a consequência disso é um defeito físico numa das pernas. Ficou coxo. O pai carrega o peso da culpa; a mãe, nem tanto.
O desenrolar dos acontecimentos acentua as tensões internas dos personagens, sempre prestes a explodir, mas que são contidas pelas convenções sociais. As aparências têm o poder de rédeas. Até certo ponto. Um acontecimento crucial fará com que as máscaras caiam e os ressentimentos alimentados a custo, venham à tona.
Levar o texto de Henrik Ibsen ao palco é uma tarefa difícil, comenta a diretora Nena Inoue, principalmente em se tratando de atores com pouca experiência. Além disso são todos jovens. A diretora não se intimida com os desafios: ‘‘Eles estão trabalhando direitinho’’, afirma.
Como exige antes de tudo a interpretação, a diretora não quer que os atores se transformem graças à maquilagem para desenvolverem seus papéis. Um rapaz de 23 anos viverá um idoso, mas não terá os cabelos brancos à base de pó, nem rugas feitas com lápis. ‘‘Fica parecendo coisa de amador’’, diz Nena. O peso da idade, a densidade refletem-se nos detalhes, explica. ‘‘É um trabalho realista, é Ibsen, não dá para ser de outra maneira’’, encerra.

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