Torcedores podem economizar viajando de trem
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terça-feira, 30 de agosto de 2005
Antero Greco<br> Agência Estado 
São Paulo - O alemão é idioma que assusta quem não o conhece. E impressiona por palavras enormes e de pronúncia difícil, que parecem esconder mistérios da vida. Por exemplo? ''Fussball-Weltmeisterschaft''. Que é apenas ''Copa do Mundo de Futebol''. Mas aqueles que pretendem acompanhar o torneio de 2006 por lá ganharão tempo, se fizerem uma ''colinha'' com termos que os ajudarão a viajar quase como se estivessem em casa. Um dos mais importantes e fáceis é ''Bahnhof'' (''estação'' de trem). Ou ''Haupt Bahnhof'', que em português simples significa ''estação central''.
Por que decorar essas palavras? Porque o trem é um dos meios mais práticos e menos caros de deslocamento pela Alemanha. O país anfitrião da Copa tem malha ferroviária espetacular, com milhares de possibilidades de interligação entre suas cidades e o restante da Europa. Os preços nem sempre são convidativos, sobretudo para quem vive com reais, e os euros evaporam dos bolsos com facilidade. Mas dá para compor pacotes que diminuam os custos, a ponto de se ter a sensação de que se trata de uma pechincha.
A Deutsch Bahn, que administra as ferrovias alemãs, é uma das parceiras da Fifa na organização do Mundial. Por isso, deve fazer promoções para facilitar a vida dos torcedores que circularem no país entre os dias 9 de junho e 9 de julho, período que compreende a abertura e a decisão da competição. Se a DB (guarde essa sigla, que aparece em cartazes escrita em vermelho) repetir a iniciativa que teve na Copa das Confederações, em junho, turistas que viajarem em grupo pagarão 25% a menos nas tarifas normais. Três pessoas que embarcarem juntas podem reclamar o desconto ao comprar os bilhetes.
Os trens são bons e divididos em diversas categorias. Os mais simples são os suburbanos (S), que param em pequenas estações, têm bancos duros e compensam com passagens mais baratas. Há os regionais (R), que cobrem áreas maiores e chegam a ter vagões com dois andares. Em seguida, vêm os Intercity (IC), para distâncias médias e já com mais conforto. Depois, aparecem os Intercity Express (ICE), que ligam as grandes metrópoles e alcançam velocidade de até 300 km por hora. Esses dois últimos tipos de composição apresentam requintes nas poltronas, na iluminação, nos banheiros. Têm carros-restaurante, com razoável variedade de comidas e bebidas, mas com preços salgados.
O Brasil ainda não sabe por onde inicia a caminhada na busca do hexa. Isso só será definido em 9 de dezembro, no sorteio das chaves, em Berlim. Porém, se prevalecer o desejo dos donos da casa, na primeira fase os campeões de 2002 ficarão no Grupo F e jogarão em Berlim (no dia 12 de junho), Munique (18) e Dortmund (22). Os alemães têm reservado para si o Grupo A e querem distância da seleção do técnico Carlos Alberto Parreira. Se tudo sair de acordo com o script, as duas equipes só vão encontrar-se na final.
Vamos supor que vingue a tese do Grupo F para o Brasil. O torcedor terá, então, chance de fazer longas viagens pela Alemanha. Para quem tem pressa, e mais dinheiro, avião é o ideal. Porém, uma passagem entre Frankfurt porta de entrada do país e Berlim sai em torno de 270 euros, para 1h05 de vôo. Os mesmos 545 quilômetros entre as duas cidades são percorridos em 5 horas de automóvel nas excelentes ''Autobahn'' (auto-estradas). Há a possibilidade de alugar carros por um dia, por preços que giram em torno de 80 euros. Essa opção é ótima para quem tem pouca bagagem e para pequenos grupos.
As alternativas de trem, para o mesmo trajeto, são muitas. Em média, a viagem em segunda classe dura 4h20, por 95 euros (ou 71,75 euros com o desconto para grupos), com trem que parte do aeroporto de Frankfurt. A mais rápida leva 3h57 e sai por 105 euros ( 78,75 euros com descontos). Em alguns casos, é obrigatório fazer reserva, com mais 3,50 euros de acréscimo. Para quem prefere economizar diária de hotel, compensa pegar o trem noturno, que custa 98 euros e corta o país em 9 horas. O problema são as três baldeações e as muitas paradas intermediárias.


