Estados Unidos e Japão já não vinham diplomaticamente em bom astral durante todo o ano de 1941. Quando a União Soviética foi invadida pela Alemanha, os japoneses se sentiram livres para a tão ansiada expansão pelo sul da Ásia rumo à Austrália, depois de já terem ocupado China e Indochina. Pressentindo a manobra do império japonês na região, o presidente Roosevelt decidiu pressionar o Japão, especialmente pela via econômica. Os bens japoneses na América foram congelados, o intercâmbio comercial entre as duas nações suspensos e os Estados Unidos acabaram por decretar o embargo de petróleo para o Japão.
No final de novembro de 41, Roosevelt falou duro durante encontro diplomático entre os dois países, exigindo a retirada das tropas japonesas da China e da Indochina, e o rompimento do Pacto Tripartite que o Japão tinha celebrado com Alemanha e Itália. Só assim as relações políticas e comerciais seriam retomadas plenamente. Não houve acordo, e no dia 1º de dezembro, parte da frota japonesa, então considerada a terceira do mundo em poderio, já havia deixado a base nas Ilhas Curilas com o codinome ‘‘Força Z’’: 2 couraçados, 2 cruzadores, 9 contra-torpedeiros, 8 navios petroleiros para reabastecimento, 8 submarinos e 6 porta-aviões transportando 423 aeronaves. A ordem de ataque foi ‘‘Nitaha Yama Nobora’’ (Escalem o Monte Nitaha).
No dia 5 de dezembro, a esquadra japonesa estacionou a 425 quilômetros de Pearl Harbor. Na base americana do Havaí, uma complexa instalação militar com estaleiros, docas, hospital, pista de pouso, oficinas, paióis e alojamentos, correram rumores de um ataque mas ninguém acreditou na ousadia japonesa. Nenhuma providência preventiva foi tomada, nenhuma medida de alerta foi posta em prática. Pouco antes do amanhecer do dia 7 de dezembro, mais trapalhadas. Vigilância completamente relaxada, mesmo quando um submarino japonês – o famoso Midget, espécie de mini-embarcação que teria grande sucesso durante a guerra – foi avistado bem próximo. E outro erro fatal logo em seguida: dois operadores de radar comunicaram a um tenente de plantão a vinda de enorme formação de navios. O oficial se esqueceu ou simplesmente deixou de transmiti-la aos superiores. Às 7h55 começou o inferno.
Nenhuma reação à primeira onda de ataque. Em cena 50 bombardeiros, 40 torpedeiros, 54 bombardeiros de mergulho e 45 caças. Muitos em terra achavam que fosse um exercício militar. Às 8h50, nova investida em massa, desta vez encontrando tímida reação com alguma organização. Às 9h45, o ultimo avião japonês deixou Pearl Harbor. No mesmo dia, outros segmentos da marinha imperial japonesa atacara, simultaneamente as Filipinas, Hong-Kong, Malásia, Bornéu, Cingapura e Midway.
‘‘Tora, Tora, Tora’’ (Tigre, Tigre, Tigre). Esta a mensagem cifrada enviada pelo almirante Chuichi Nagumo ao almirante Isoroku Yamamoto, no fim da manhã de 7 de dezembro de 1941, informando o êxito de uma das espetaculares manobras militares da Segunda Guerra. No inventário de perdas, o encouraçado Arizona afundou e o Oklahoma adernou. O Califórnia, o West, o Virgínia e o Nevada ficaram encalhados, e três cruzadores ficaram fora de combate. Vários outros navios foram danificados, 188 aviões foram destruídos e 170 avariados, todos em terra. Durante as quase duas horas do ataque, 3.435 americanos morreram, desapareceram ou ficaram feridos. As perdas japonesas, de vidas e materiais, foram mínimas. O ataque a Pearl Harbor marcou a globalização da guerra. No dia seguinte, o Congresso dos Estados Unidos aprovou a entrada do país na guerra, provocando a recomposição das forças militares aliadas. A Inglaterra também declararia guerra ao Japão no mesmo dia. (C.E.L.J.)

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