Toquinho lança DVD
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sábado, 11 de maio de 2002
Katia Michelle<br>Equipe da Folha 
Curitiba Ele não tem medo de se tornar refém do passado. Diz que músicos da sua geração estão mesmo apegados ao que já fizeram anteriormente e o desafio é justamente esse: trilhar um novo caminho sem se repetir, ainda que estejam guardadas na algibeira as referências responsáveis pelo sucesso ao longo dos tempos. É assim que Antônio Pecci Filho, o Toquinho, avalia os seus 38 anos de carreira. Ele comemora o êxito ininterrupto com o lançamento do DVD Toquinho (Kau Laser) que reúne desde imagens de infância, depoimentos, até trechos dos melhores shows.
O DVD, o primeiro inteiramente produzido no Brasil, era para ser lançado há dois anos, mas o músico só conseguiu contornar problemas burocráticos e técnicos agora. Ultrapassadas as barreiras, o resultado é um disco universal, ou seja capaz de ser exibido nos aparelhos europeus, japoneses, brasileiros e afins. Uma façanha inédita na música brasileira.
Toquinho esteve em Curitiba para um show reservado, promovido pelo Colégio Positivo em homenagem ao Dia das Mães e falou à Folha2 sobre o lançamento do disco e de mais dois CDs que serão lançados ainda esse semestre. O DVD mostra os principais sucessos de Toquinho e também os seus principais parceiros: Chico Buarque, Gilberto Gil, Ivan Lins, Jorge Benjor e é claro Vinícius de Moraes.
Quanto ao resultado do trabalho, Toquinho classifica o disco como um prêmio por tantos anos de carreira. Lembra que não se trata de um show, mas de uma reunião de assuntos e imagens que dão um panorama de sua carreira. É claro que tem muitos aspectos que ficaram de fora, comenta. Exemplifica com momentos importantes, como um show que fez com Chico Buarque há dez anos, em Milão (Itália) para cerca de 20 mil pessoas. Foi ótimo, mas infelizmente não foi gravado, são aquelas coisas que ficam por conta da memória, diz.
Em 38 anos de carreira, Toquinho tem dezenas de discos gravados. Só com Vinicius de Moraes, do qual seu nome é inevitavelmente ligado pelo sucesso das parcerias, criou 120 músicas e gravou 25 LPs do Brasil e exterior, realizando juntos cerca de mil shows nos palcos brasileiros, europeus e latino-americanos. Nos anos 60 fazia parte da turma de Elis Regina (saudade), Zimbo Trio, Bossa Jazz Trio, Tayguara e Marcos Valle. Ufa! Haja aquarela nessa carreira. E, aliás, cor é o que não falta ao compositor de 55 anos.
Até o final do semestre ele promete mais dois lançamentos: Só tenho tempo par ser feliz, com 14 músicas inéditas, em parceira com Mutinho, Paulinho da Viola e João Carlos Pecci . Faz parte do disco Canção para Jade, que Toquinho fez em homeagem à filha e Caso Encerrado, reegravação da parceria dele e de Paulinho da Viola. Mosaico é o segundo lançamento previsto. O disco, em parceria com Paulo César Pinheiro, é resultado de um projeto sobre os 500 anos do Brasil.
Tanto trabalho pode ser considerado até um contracenso do que Toquinho diz acreditar atualmente. Assim como Gil, Caetano e Chico Buarque, cheguei num estágio da minha carreira que não tenho compromisso de lançar um disco por ano. Já tenho um público cativo, considera. Diz ainda ser capaz de sacrificar um show para ficar com a família e os amigos. Por isso diminui minha agenda de shows, explica.
Ainda assim, Toquinho continua realizado uma média de três apresentações por semana, no Brasil e na Europa. Ainda não está definido quando ele vai se apresentar no Paraná. Mas enquanto isso, o público cativo pode se distrair com o DVD.


