Toques de sofisticação
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 23 de abril de 2003
Ana Setti<br> Reportagem Local 
Está em Londrina, para uma única apresentação hoje, acompanhado pela Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual de Londrina (OSUEL), o pianista norte-americano Harold Brown. O concerto, promovido pela Divisão de Música da Casa de Cultura da UEL, com o patrocínio do Instituto Cultural Brasil Estados Unidos, é o segundo evento da Temporada Ouro Verde 2003 e traz um instrumentista com sólida carreira internacional, que já esteve em Londrina duas vezes, sendo a primeira há 11 anos e a última, há 6. ''Ele queria muito voltar'', comenta Ely Torresin, gerente administrativo do Instituto Cultural, garantindo o interesse do pianista pela cidade, em particular, e pelo Brasil, em geral.
Harold Brown, aliás, conhece e aprecia vários compositores brasileiros, como Villa-Lobos e Ernesto Nazareth, já tendo tocado algumas de suas composições em recitais de piano. ''O Brasil é muito importante no circuito musical mundial'', garante, ''porque possui um vocabulário próprio, em termos de ritmos e harmonias''. Considerado um intérprete ''humanista'', Brown está mesmo longe de reproduzir mecanicamente uma partitura. Prefere, sempre, entender sentir talvez seja o termo mais apropriado o que o compositor quer dizer. E essa compreensão profunda só pode ser atingida por meio de muito estudo. ''Treino o máximo que posso'', confirma, lembrando que seu tempo é escasso por conta das muitas apresentações que faz pelo mundo. Contudo, preparação é essencial. Para a apresentação de hoje, por exemplo, dedicou-se a três exaustivos ensaios com a orquestra. ''É a forma de se alcançar uma expressão, uma comunicação da música, que vai além da execução correta da partitura'', explica.
Embora mais acostumado a se apresentar em concertos-solo, entusiasmou-se com a oportunidade de tocar, em Londrina, com a orquestra do maestro Evgueni Ratchev, ''um músico maravilhoso''. ''Tocar com orquestra propicia uma dimensão diferente à expressão musical, dando-lhe especial colorido e tornando-a mais rica, com um 'blend' único''. A obra escolhida para a apresentação de hoje não poderia ser mais apropriada, já que se trata do ''Concerto para piano e orquestra nº 5'', também conhecida por ''Imperador'', de Beethoven.
Inspirado a fazer da música sua vida, já a partir dos 14 anos de idade, com o estímulo de seus professores, o pianista, como a maioria de seus colegas, firmou-se internacionalmente participando de torneios e festivais. Com um extenso repertório, que abrange de Bach a Messiaen, passando por Ravel, de cuja obra é profundo conhecedor e aclamado intérprete, Brown sente-se realizado com o que faz. ''Estou sempre indo ao encontro de pessoas que amam a mesma coisa que eu'', afirma e, se não pudesse ser músico, simplesmente ''não saberia o que fazer''.
SERVIÇO
Concerto com o pianista Harold Brown e Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual de Londrina. Hoje, às 20h30, no Cine-Teatro Ouro Verde (Rua Maranhão 85). Entrada gratuita.


