Toque de rebeldia
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segunda-feira, 23 de dezembro de 2013
Nataly Lima<br>TV Press 
Os traços delicados de Aline Peixoto a fazem parecer ser mais nova do que realmente é. Aos 22 anos, a atriz está prestes a voltar ao ar na pele de uma adolescente de apenas 16, a Paula de "A Teia", série policial que estreia no início de 2014 na Globo.
Apesar dos seis anos que a separam de sua personagem, ela assume que não se incomoda com o estereótipo de adolescente. "Não sou mais criança, mas acho bom ter esse rosto. Um dia, vou envelhecer e os papéis maduros virão naturalmente", enfatiza.
Na trama, Paula é filha do delegado Jorge Macedo, de João Miguel. Apesar de ser uma série de ação, que tem como cenário principal Brasília, Aline fará parte do núcleo familiar que vive em Fortaleza. "Mesmo não participando das cenas mais pesadas, a carga dramática da Paula é nova para mim. O texto é bem mais intenso, diferente de tudo que já vivi", explica.
As gravações da série, que terá 10 episódios, foram finalizadas em julho após sete meses. E, apesar da temática policial e das cenas tensas, o clima nos bastidores era completamente diferente. "Todos me acolheram muito bem. Nunca tinha trabalhado com ninguém do elenco. São, basicamente, atores de teatro, não costumam fazer televisão", conta.
Essa familiaridade dos intérpretes com o teatro foi essencial para Aline, já que, durante as gravações, ela ganhou um prêmio pela peça na qual está em cartaz. "Quando você grava, essa é a prioridade. Mas todos se mobilizaram. Mudaram a ordem das cenas para que eu pudesse me ausentar e gravar sem prejuízos", entrega.
Segundo Aline, as cenas de ação da série são cinematográficas. A edição é uma das grandes responsáveis pela estética. "Logo na primeira sequência, é possível entender. Só vendo para saber. A edição deu um ritmo bem acelerado", adianta.
O ingresso da atriz no elenco se deu através de testes. Aline, contudo, se submeteu a uma avaliação para outra personagem. Mas acabou sendo escolhida para viver Paula. "Eu lembro que o texto era bem mais pesado. Era uma mulher de bandido. Também teria sido interessante de fazer", especula.
Entretanto, mesmo não estando presente nas cenas de ação, os conflitos familiares deram o tom de sua personagem. "O Jorge tem muitos problemas com a família. Tem problemas com a mãe e com o irmão. As questões com o irmão serão o ponto alto das brigas em casa", antecipa.
Apesar de já ter vivido mocinhas em outras tramas, para Aline, Paula é completamente diferente. "Primeiro, por conta da temática da série. E também, sempre fiz garotas do bem. Paula é uma boa pessoa, tem bom caráter, mas é muito difícil de lidar", explica.
O fato de ter feito personagens parecidas não incomoda a atriz. Na realidade, se apresenta como algo instigante para ela. "Sempre tenho todo o trabalho para diferenciá-las. Gosto de mudar o andar, o olhar e a voz. As outras pessoas podem não ver diferença, mas, para mim, faz toda. É coisa de maluco mesmo", brinca.
Mesmo tendo uma construção de personagem que lembra bastante a feita por atores no teatro, Aline não associa seu laboratório a essa prática. "Comecei cedo nos palcos, com 10 anos, mas logo saí. Só voltei anos depois. Por isso, conto como se tivesse começado na televisão. Antes, eu não tinha plena noção do que fazia", admite.
No momento, Aline aguarda a estreia de "A Teia" e continua em cartaz com a peça infantil "As Três Marias". Por ter uma carreira na televisão, a atriz diz que, em alguns festivais de teatro, sentiu na pele o preconceito nutrido por quem não trabalha no veículo. "Alguns atores de teatro trabalham muito para se manter. Só que eles esquecem que nós da televisão também fazemos isso. Eu gosto muito de televisão e não tenho problema em falar isso. Que se dane o preconceito", evidencia.


