Antônio Mariano Júnior
Há quem leva o famoso jeito para a coisa. Isso é até compreensível já que no País do samba até uma prosaica caixa de fósforo pode ser considerada um ‘‘instrumento’’ percussivo. Mas no mundo erudito, a percussão exige sobretudo estudo, muito estudo. Afinal, numa orquestra sinfônica por mais discreta que possa ser sua atuação cênica, a participação de um percussionista é tão importante como a de outros músicos.
Por isso, não é exagero dizer que percussão se aprende na escola. Que o diga o norte-americano John Boudler que há vinte anos criou e desenvolve o curso de bacharelado em percussão no Instituto de Artes da Universidade Estadual Paulista.
Um pouco de seu conhecimento está sendo repassado a sete alunos do curso de percussão do 18º Festival de Música de Londrina. O resultado poderá ser conferido amanhã, às 17 horas, numa apresentação que acontece nas dependências do Colégio São Paulo. E deverá agradar. Afinal, Boudler é um dos mais respeitados especialistas da área no Brasil.
Seu currículo comprova. Basta dizer que em 77 ganhou o mais alto prêmio destinado à percussão solo, no 26º Concurso Internacional de Munique, na Alemanha. Além disso ele foi, durante 10 anos, timpanista da Orquestra Sinfônica de São Paulo e fundador do grupo ‘‘Percussão Agora’’. Sua mais recente façanha foi ter participado do disco da Orquestra de Câmara de Bernard Bressler que em 96 recebeu o prêmio Shell na categoria Música Erudita.
O curso de bacharelado, como explica, inclina-se totalmente para a música erudita. O currículo, desenvolvido durante quatro anos, prevê estudos dos vários instrumentos de percussão (há cerca de 120 tipos conhecidos), além de técnica de afinação e, obviamente, conhecimento teórico do mundo erudito.
Porém, no Brasil, o percussionista deve ser antes de mais nada polivalente. Ou seja, deve estar preparado para executar vários estilos musicais. E é isso que o diferencia do percussionista popular, formado no mais puro autodidatismo. ‘‘Adorar o ritmo, ser criativo já ajuda. Mas através da prática do conhecimento erudito um percussionista pode se abrir a outros estilos’’- diz Boudler. ‘‘O meu maior desafio como professor é que o aluno adquira o auto-respeito, a disciplina e um bom desenvolvimento técnico. O mais importante é fazer com que os alunos tenham amor ao que fazem’’- complementa.
Mesmo convivendo desde criança com a percussão, John Boudler surpreendemente nunca compôs uma peça. Seu negócio é tocar, ser músico antes de mais nada. ‘‘Minha preocupação é fazer uma ligação fiel e competente entre o compositor e público, tanto como intérprete como regente’’- diz ele.

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