Toque contemporâneo
PUBLICAÇÃO
sábado, 02 de agosto de 2003
Reportagem Local 
Uma experiência com a dança contemporânea foi apresentada no Festival de Dança de Londrina pela bailarina, professora e coréografa norte-americana Holly Cravell, que há 13 anos reside no Brasil e atua como coordenadora associada e professora do curso de dança da Unicamp. No currículo, Cravell traz estudos de Dança Moderna (iniciados aos oito anos de idade), Ballet Clássico e Jazz. Como bailarina, atuou em várias companhias de dança, destacando-se a de Martha Graham, Paul Sanasardo Company e 5 X 2 Plus Dance Company.
Em uma carreira de mais de 35 anos, Holly Cravell morou e teve experiências diferenciadas em dança no México, Venezuela, Suécia, Finlândia, França, Dinamarca e Estados Unidos. Atualmente, trabalha com a Companhia Domínio Público, de Campinas, e estuda Comunicação e Arte do Corpo na PUC de São Paulo.
Para Holly Cravell, sua experiência mostrou que o que não falta é criatividade aos bailarinos brasileiros. ''Os latinos, de modo geral, já são ligados na sexualidade e nas possibilidades do corpo'', diz. Mas ela alerta sobre a necessidade de forçar o trabalho de disciplina. ''É preciso dizer: Ah! você fez isso bem uma vez, então faça duas, três, quatro''. Sem contar a questão do horário. ''Eu tenho uma formação britânica, se o ensaio é às 9 horas, então é 9 e não depois da chuva. Não há porque atrasar. É preciso criatividade e disciplina ao mesmo tempo''.
Mas a professora salienta que é preciso ter uma compreensão de cada cultura sem fazer pré-julgamentos e aproveitar melhor o que existe em cada uma delas. Nos Estados Unidos, por exemplo, são todos muito preocupados com a técnica, mas falta vida, espírito.
Outra questão abordada por Cravell é que na dança contemporânea trabalha-se a velocidade das informações para traduzi-las para o mundo. ''Não dá para trabalhar, coreograficamente falando, sem ser influenciado pela nossa época. Mas cada coreógrafo faz sua obra com um olhar diferente'', explica. Portanto, a contemporaneidade é uma fusão, uma reorganização das informações. E diante disso, ''o bailarino contemporâneo não é apenas um executor da vontade do coreógrafo, mas sim um co-criador. E isso exige muita criatividade''. (J.S.)


