Toque contemporâneo
PUBLICAÇÃO
sábado, 09 de novembro de 2002
Ana Clara Garmendia<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Reserva. Esta foi a tônica que envolveu o Shopping Crystal esta semana enquanto acontecia a segunda edição do Golden Fashion. Ao contrário do tradicional Crystal Fashion que mostra os lançamentos das lojas de roupas e acessórios a uma elite da cidade, o evento que mostra as jóias do momento ocorreu com mais discrição.
Foram sete desfiles que trouxeram as mais diferentes opções para as damas da sociedade curitibana se enfeitarem com a glória das gemas e das pedras. Talvez um deles, o realizado na segunda noite, pela Monaliza Jóias tenha sido o mais contemporâneo. As jóias da grife, que é vendida num corner dentro da loja mais cara da cidade, a Bazzar, deixaram inquietas as mais tradicionais. ''Esta peça tem cara de bijuteria'', comentava uma socialite que estava assistindo a apresentação produzida por Cristian Kishida. E tinham mesmo.
Várias passagens da apresentação que foi buscar nos mistérios da Índia inspiração para roupas, cabelos, maquiagem e som (feito pelo DJ curitibano André Gentil) mostraram peças que poderiam ser bijuterias. Não eram. E por isso mesmo causaram espanto em muita gente. Essas criações apontam para mais uma tendência mundial no que se refere ao consumo feminino de jóias e roupas caras. O momento não é de ostentar. Num mundo onde há milhões de pessoas passando fome quem tem dinheiro para comprar jóias deve ficar quieto. Usar uma peça que tenha custado caro mas que não agrida aos que estão a sua volta parece um comportamento politicamento correto. Universal.
Não que a Monalisa não tenha apresentado a eternidade dos diamantes, eles estavam lá sim. Disfarçados entre várias outras criações como uma anel em formato de flor, cravejado de rubis e diamantes. Estavam também em argolas básicas que, para quem não tem um bom olho, poderiam passar por uma bijuteria fina. A jóia está perdendo seu valor de impressionar as pessoas? Não. É só mais um mercado se adequando ao momento. Uma hora onde ficar quieto é mais conveniente do que colocar à prova os limites de quem está olhando em volta e não tem a mínima condição de entender os caminhos que levam uma mulher a comprar uma peça que custe R$ 200 mil.


