Quando se trata de receber amigos para reuniões informais, a cantora curitibana Babi Farah não hesita em preparar o Baba Ganush – uma pasta à base de berinjela
A exemplo de tantas outras cantoras, Babi Farah iniciou-se no mundo musical integrando corais de Curitiba. Pegou gosto pela coisa e não saiu mais da carreira. Tornou-se cantora da noite e há dois anos e meio empresta sua bela voz para o Grupo Fato. ‘‘Este grupo tem uma proposta diferente, ele sai do óbvio. Para a gente é um exercício constante, um desafio que se renova’’, diz ela.
Essa paixão ao Fato e à música pode-se dizer que seja a mesma que ela dedica à cozinha. Como uma herança vinda das mulheres Farah, Biba dá continuidade à história da família – gosta de ir para o fogão e criar pratos para grupos numerosos de comensais. O dia-a-dia, é claro, não é bem assim, mas a tendência é essa. ‘‘Adoro cozinhar para bastante gente, acho que é coisa de árabe’’, brinca.
Para encontros informais a cantora gosta de preparar Baba Ganush, uma pasta servida como acompanhamento de pães (não precisa necessariamente ser pão sírio). Um dos segredos do seu sabor diferenciado é assar as berinjelas diretamente no fogo, ao contrário de outras receitas que ensinam a levá-las ao forno. ‘‘O queimadinho dá um sabor todo especial’’, explica.
Porém, os Farah têm outra característica – o forte lado artístico. Assim como Babi é uma cantora de recursos, sua irmã Fernanda Farah é atriz das mais conceituadas. Para completar, casou-se com o ator Marcelo Munhoz. Sobre o Fato ela afirma ser esta é sua melhor escola. ‘‘É bem bacana participar do grupo, e como ele tem uma proposta diferente de trabalho, estamos sempre além do óbvio. Não canso de me descobrir; nesse exercício só aprendo’’, desmancha-se.
O grupo está sempre em busca de soluções para suas sonoridades e cantorias, e busca também agregar novas platéias. Seus componentes sabem que são talentosos: ‘‘Se a gente conseguisse se projetar nacionalmente, seríamos uma boa surpresa’’, fala Babi, sem receio de parecer pretensiosa. ‘‘Estamos correndo atrás, constantemente, para ver se conseguimos algo mais além de Curitiba’’.
Com o terceiro CD na praça, ‘‘Oquelatáquelateje’’, o Fato detém uma história de resistência, a começar pelo notório desprestígio da cidade com a prata da casa. Babi cutuca: ‘‘Tem tanta gente boa surgindo que talvez a partir de agora o curitibano comece a ser mais bairrista’’.
A fama da qual Curitiba goza como sendo uma platéia exigente é pura balela. As pessoas vão ao teatro e aos shows para ver aqueles que a mídia consagrou. Ninguém aposta no novo, não vai para conferir o que está surgindo. ‘‘O Rio de Janeiro é tão conservador quanto Curitiba. A única diferença é que lá tem mar’’, ironiza a cantora. São Paulo, por ser cosmopolita, é o único centro realmente aberto a todos os sons, movimentos, ondas que possam surgir. ‘‘O público reage de maneira mais receptiva. Para nós foi uma descoberta’’, continua Babi, num breve relato das temporadas paulistana e carioca.
Com o repertório de Oquelatáquelateje’’ o grupo estará em março em Maringá, depois se apresenta em Londrina. Outras praças estão sendo agendadas, mas aquilo que os artistas mais querem neste momento é trabalhar um novo programa. É importante para a gente reciclar’’, finaliza Babi.

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