Tony Ramos faz mais um estrangeiro
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 03 de maio de 2010
Vitor Moreno<br>Folhapress 
Em Passione, novela que a Globo estreia no dia 17 na faixa das 21h, Tony Ramos vai interpretar Antonio Mattioli, o Totó. O personagem nasceu no Brasil, mas vive na Itália e é descrito pelo autor Silvio de Abreu como um homem com coração e alma de italiano.
Aos 61 anos e há 46 na TV, Tony está acostumado a viver personagens dalém mar. Passione será o quarto trabalho - dos últimos cinco na TV - no qual faz um estrangeiro.
De 2005 até agora, o ator paranaense, nascido em Arapongas (PR), foi brasileiro apenas em Paraíso Tropical, como o empresário Antenor Cavalcanti. Nas demais, viveu um americano, um grego e um indiano.
Segundo Silvio de Abreu, que também escalou Tony como o grego Nikos de Belíssima, o personagem italiano estava prometido ao ator há tempos.
Tony acredita que a recorrência no papel de estrangeiro é mera coincidência. Ele admite, porém, que seu tipo é multirracial, fruto da ascendência, que mistura sangue português, espanhol, inglês e italiano.
O ator conta que recorre até ao dicionário de alemão para ler poemas no idioma original. Viajar para mim não é só olhar por olhar, é olhar o lado de lá do cartão-postal. E é o que eu faço como ator, afirma.
Na lista de seus destinos favoritos estão Portugal, Espanha, França, Escócia, Irlanda e Japão.
Para chegar à musicalidade - que ele diz transcender o sotaque - de seus estrangeiros, Tony faz uma preparação que envolve desde assistir a filmes a fazer uma longa estada no país onde nasceu o personagem.
Por opção pessoal, ele chegou à Itália antes de a produção da novela começar e passou quase dois meses por lá. Procurou pequenos produtores, colheu azeitonas, conheceu o processo de fabricação do azeite de oliva e até dirigiu um trator. Isso tudo porque Totó é um pequeno agricultor na Itália e virá ao Brasil quando sua mãe, interpretada por Fernanda Montenegro, reencontrá-lo.
A preparação envolveu também aprender o idioma. Tony está fazendo aulas de italiano desde outubro para convencer no que ele chama de portiliano, um português com sonoridade e expressões italianas.
O recurso é diferente do usado para fazer o Opash de Caminho das Índias, que falava um português perfeito, apenas com expressões indianas.
Como contrapartida do esforço na composição dos personagens, Tony diz desconhecer reações negativas a esses trabalhos. Pelo contrário. Não tem nada que pague aquele povo dizendo parece o meu avô ou parece o meu irmão, parece o meu tio... Isso é a maior homenagem que um ator pode receber.
Os estrangeiros não só se sentem homenageados, como acabam homenageando quem os interpreta, diz Silvio de Abreu. Que estrangeiro não gostaria de se ver representado por um Tony Ramos?


