Andrea Tonacci esperava de Londrina uma cidade distante, pequena e sem cultura cinematográfica. ''Me surpreendi com o que encontrei aqui. Estou mesmo impressionado.'' O cineasta, eternamente lembrado por seu cultuado ''Bang-bang'' (1970), não lançado comercialmente em DVD mas distribuído nos programas de troca de arquivos na Internet, esteve na cidade no final de semana para dar uma oficina de direção de cinema. Dos 30 jovens que pagaram R$ 150 para acompanhar os dois dias com o italiano que vive no Brasil desde os oito anos, nove deles vieram de outras cidades.
De Manaus, chegaram os produtores Marinaldo Matos, 34, e Leonardo Costa, 28. A aventura de atravessar 3.660 quilômetros custou, contando as passagens de avião, alimentação, hospedagem e o valor da oficina, R$ 2.200 a cada um deles. ''Viemos fazer a oficina e buscar uma parceria. Sabemos que aqui é um pólo. É um modelo que queremos levar para o Amazonas'', afirma Matos. ''A qualidade do trabalho da Kinoarte já conhecíamos. Só não sabíamos que eles eram tão jovens'', diz Costa.
Os jovens são Bruno Gehring, 26, e Rodrigo Grota, 29. O instituto que organizam já trouxe à cidade, dentro do projeto das oficinas, iniciado em 2005, Carlos Ebert, Hilton Lacerda, Joel Pizzini, Kiko Goifman, Marçal Aquino, Ruy Guerra e Walter Lima Jr. ''Queríamos aprender a fazer com os caras que admirávamos'', comenta Gehring. A idade dos dois jovens, em alguns momentos, é um impeditivo. ''Às vezes não nos respeitam porque não temos barbas brancas.''
A vinda de Tonacci era um sonho antigo da dupla. Em 2006, trouxeram para a 8 Mostra Londrina de Cinema, também organizada pela Kinoarte, seu último longa, ''Serras da Desordem'', exibindo-o sem a presença do diretor. Desta vez não apenas conseguiram trazê-lo, mas orquestraram a exibição do filme no Cine Com-Tour UEL, onde fica em cartaz até amanhã (confira programação de cinema na página 2).
''Cometi o mesmo erro de todos os diretores: coloquei o meu filme nas mãos de uma distribuidora'', comenta Tonacci. Londrina é a primeira cidade que recebe a cópia através da produtora do cineasta. ''Eu esperava que, ao me associar a uma empresa independente, fariam um trabalho cuidadoso. Não foi o que aconteceu.'' Descasos a parte, o longa já fez 20 mil espectadores no País com apenas quatro cópias em película. Do montante arrecadado, porém, Tonacci ficou com uma parte muito pequena - R$ 6 mil.

mockup