TOMIE FAZ ARTE NA CIDADE
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terça-feira, 03 de outubro de 2000
Francelino França De Londrina 
A grande dama das artes plásticas Tomie Ohtake fez uma rápida visita por Londrina ontem. Essa é a quinta vez que ela vem à cidade e, dessa vez, o motivo é a escolha de um local para a construção de uma escultura concebida especialmente para a Universidade Estadual de Londrina. Nessa obra, a linguagem visual peculiar da artista, que retrata uma ocupação espacial matematicamente estudada, se reflete no traço sinuoso, na curva orgânica e na escolha criteriosa da cor.
Acompanhada pelo arquiteto Jorge Utsunomya, profissional que faz a interface entre a artista plástica e o executores das obras, ela foi recebida pelo reitor da UEL Jackson Proença Testa e a equipe de técnicos envolvidos no projeto. Tomie percorreu alguns pontos da instituição para decidir qual o espaço ideal para interagir com sua estética simples e apurada. A decisão recaiu para um local no campus, localizado entre o estacionamento do Restaurante Universitário e a Rodovia Celso Garcia Cid, batizado de Praça Tomie Ohtake. Desse ponto, a escultura poderá ser observada tanto por quem estiver dentro da UEL como também por quem passar pela Rodovia.
Foram quatro meses para conceber a obra, mais seis longos anos para viabilizar o projeto, que agora parece que realmente vai decolar. Em novembro de 1994, a Folha2 já registrava imagens da maquete dessa obra. Das visitas à cidade, o céu claro e o sol forte foram decisivos para a concepção da escultura. Londrina tem muito sol. Esse trabalho reflete a luz da sol, justifica Tomie, sempre econômica nas palavras. Para que a escultura possa dar o efeito desejado, a artista escolheu a cor prata bem brilhante.
A forma é simples, mas é significativa. O ideal é a escolha de um espaço que dê para observar a escultura de todos os ângulos, explica. A obra será feita em ferro de tubo com 50 cm de diâmetro. Segundo os cálculos executados pelos arquitetos e engenheiros da UEL, a obra terá 7 metros de altura (no ponto mais alto), 17 metros de comprimento e 7,5m na parte mais larga. Essa é uma obra que exige um local bem aberto, prossegue. A concepção de Tomie desafia os técnicos, pois a escultura resvala levemente no solo. À noite, haverá um iluminação especial.
A preferência pela amplitude nos espaços é uma tônica no trabalho de Tomie Ohtake. As curvas e a leveza, mesmo concebidas com materiais pesados como o aço e o concreto, dialogam com os espaços amplos. Em São Paulo, as esculturas públicas coloridas se multiplicam pelo cinza da selva de pedra. Outras cidades já receberam importantes esculturas gigantes. Destaca-se, a obra concebida para a cidade mineira de Araxá.
Aos 87 anos, Tomie surpreende pela disposição e interesse com que se dedica às artes visuais. Quanto mais experiência ela adquire, mais sólida se torna sua visão contemporânea da arte, sempre de mãos dadas com a simplicidade. Na escultura projetada para a UEL, mantém-se a característica peculiar da artista, ou seja, dar equilíbrio ao desiquilíbrio. Isso exigiu dos engenheiros cálculos complicados e demorados.
A execução da escultura depende de licitação, processo que será agilizado. A execução, em cálculos preliminares, deve alcançar os R$ 55 mil. Durante a visita, o reitor sugeriu usar um modelo reduzido da escultura para presentear os visitantes ilustres que passarem pela instituição, tornando-se símbolo das comemorações dos 30 anos da UEL. A idéia foi bem recebida por Tomie Ohtake.


