Sozinha e em silêncio, a tímida Laura (Zoé Héran) se encara no espelho de seu quarto escuro. Observando seu corpo e seu rosto, a garota tenta vislumbrar um pedaço de sua própria identidade: o que faz dela...ela? De maneira leve, divertida e profunda, o filme francês ''Tomboy'' - estreia desta semana no Cine Com Tour/UEL - explora o tema da sexualidade, conseguindo percorrer um assunto polêmico com equilíbrio notável: sem excesso dramático nem caindo na superficialidade.
Escrito e dirigido de forma intimista pela diretora Céline Sciamma, no começo o espectador é apresentado para a pequena (ou pequeno?) protagonista, que se diverte enquanto finge dirigir - no colo de seu pai (Mathieu Demy) - em direção a sua nova casa. Pouco a pouco, somos apresentados para o resto de seus parentes. A narrativa transcorre tão naturalmente que o espectador se sente observando, como se fosse pelo buraco da fechadura, o cotidiano daquele pequeno apartamento.
Esquecendo o mundo dos adultos e sempre se mantendo fiel dentro da perspectiva infantil, no decorrer do filme somos apresentados também ao mundo de 'fora do apartamento', quando a protagonista faz amizade com a simpática Lisa (Jeanne Disson). Logo, surge o conflito: depois de brincar com um grupo de crianças, a garota se apresenta como Michael, um nome de menino. Laura não gosta de bonecas; ela quer jogar futebol, brigar na grama e beijar outras meninas. Sua aparência, com corpo franzino e cabelos curtos, favorecem para que ela seja imediatamente incorporada como mais um dos garotos do grupo.

Leia mais sobre o filme na resenha de Rafael Ceribelli exclusiva para assinantes da FOLHA

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