Tom Wolfe na capa da Book
PUBLICAÇÃO
sábado, 24 de outubro de 1998
Cassiano Elek Machado Agência Folha 
Com um sorriso entre o misterioso e o irônico, Tom Wolfe tem seu rosto estampado na capa da primeira edição da revista literária Book, que chega às bancas norte-americanas este mês.
Aos 68 anos, deve sorrir, pois volta a ser notícia. A Man in Full, o volumoso romance que ele lança em novembro nos EUA, interrompe um silêncio de 11 anos. Em 1987, Wolfe sedimentou, com Fogueira das Vaidades, o termo que ajudara a criar nos anos 60: new journalism.
Esse novo jornalismo, que ganhou expressões diferentes nas linguagens de nomes como Truman Capote (A Sangue Frio), e Gay Talese (Aos Olhos da Multidão), tinha como eixo um modo de encarar a notícia como possibilidade de arte.
O primeiro passo era um levantamento de fatos exaustivo, muitas vezes com auxílio de entrevistas. Partindo desses fatos, o texto ganhava injeções de técnicas literárias (e doses de ficção, em alguns casos), muitas vezes oriundas da novela realista. As cenas eram construídas passo a passo, os diálogos valorizados, os pontos de vista da narrativa multiplicados. Wolfe sorri na capa da revista. Todas essas técnicas, que ele empregou em livros como Radical Chique, relato do encontro do maestro Leonard Bernstein (chique) com os Panteras Negras (radicais), estão de volta.
A Man in Full, que deve ser lançado no Brasil como Um Homem Completo, aborda na totalidade de um homem a descrição de uma região. O sul dos EUA, mais especificamente a região de Atlanta, nos dias de hoje. Wolfe começou seu levantamento exaustivo de dados da região em 1989. E em A Man in Full estão as indústrias abandonadas, as lojas de conveniência 24h, as cidades- dormitório assépticas. No dia 10 de novembro, esses cenários jorram nas livrarias em 1,2 milhão de exemplares, tiragem inicial do livro. Wolfe certamente vai sorrir. Desta vez, sem o mistério da capa da revista. O nome Tom Wolfe não está impresso apenas na capa de A Man in Full. Ele também figura na lista divulgada esta semana dos finalistas de um dos prêmios literários mais prestigiados dos EUA, o National Book Awards. Conhecido como NBA, sigla que também representa a liga norte-americana de basquete, o prêmio tem este ano concorrentes tão importantes para a literatura quanto jogadores como Michael Jordan para a bola ao cesto. Além de Wolfe, o destaque na categoria ficção é o veterano Robert Stone. O crítico Harold Bloom é favorito ao prêmio de não-ficção, com estudo sobre Shakespeare.


