O jornalista Tom Wolfe dispara críticas contra o poder da mídia e a disciplina do exército em ‘‘Emboscada no Forte Bragg’’ (160 páginas/R$ 18). O livro, publicado pela Editora Rocco, é o primeiro romance de Wolfe depois do sucesso de ‘‘A Fogueira de Vaidades’’, que virou filme e já está na 11ª edição no Brasil. Assim como no romance anterior, em que o escritor critica o estilo de vida da geração yuppie dos anos 80, em ‘‘Emboscada no Forte Bragg’’, Wolfe lança mão do mesmo estilo ácido para abordar temas como homossexualismo, anti-semitismo e ética jornalística.
A trama começa com o trabalho de uma equipe de tevê para investigar o assassinato de Valentine, um soldado de elite do Exército Americano que foi morto pelos colegas porque era homossexual. A equipe do programa Dia & Noite utiliza câmeras escondidas num bar para gravar a conversa e uma possível confissão dos três soldados suspeitos de terem assassinado Valentine. As imagens são selecionadas e a conversa editada num tom sensacionalista, o que possibilita ao autor questionar a ética jornalística. O escritor também capricha no estereótipo ao colocar os três soldados como machões do interior. Têm até mesmo um linguajar próprio, que na versão traduzida acabou sendo escrita num português cheio de erros e com palavras emendadas, principalmente para enfatizar a embriaguez dos rapazes na hora da descrição do assassinato: ‘‘A porta devi di tê caído bem cima dele quano rombei.’’ A linguagem errada, porém, não prejudica o estilo. Uma das melhores partes do livro é quando a apresentadora conversa com os três soldados dentro de uma van. O escritor consegue mostrar que não é preciso usar uma linguagem rebuscada para ser eloquente.
O informalismo é mesmo uma característica do texto de Wolfe, que no fim dos anos 60 foi um dos pioneiros nos Estados Unidos a utilizar um estilo de jornalismo na primeira pessoa. O repórter inaugurou este estilo numa matéria sobre carros personalizados na revista Esquire, em 1965. Detalhista, Wolfe explora nuances como o jeito que o produtor do Dia & Noite se encolhe na cadeira, uma característica que enfatiza a posição de submissão e de revolta que ele sente por ser judeu, gordo, careca e quem faz todo o trabalho enquanto a apresentadora Mary Cary, loura, bonita e anglo-saxã, leva o crédito.
‘‘Emboscada no Forte Bragg’’ já acumula mais de 20 mil cópias vendidas no Brasil.

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