Tom Jones, de Tony Richardson
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 11 de junho de 1998
Lélio Sotto Maior Junior 
Albert Finney e Susannah York em As Aventuras de Tom Jones (Tom Jones, 63, ING)Embora já tendo dirigido alguns filmes anteriores, foi com O Gosto de Mel (Taste of Honey) - uma obra bastante desigual em seus resultados e com algumas soluções artesanalmente amadorísticas, mas já transpirando um humor até então inédito no bom meninismo do cinema inglês - que Tony Richardson se revelou um autêntico Hungry-young-movie-maker de câmera na mão. O filme abundava em observações pouco elogiosas e saudáveis para os condomínios de Sua Majestade. Agora, em Tom Jones, essa irreverência se manifesta não só ao nível semântico como ao nível do próprio instrumental: o filme avança displiscentemente, ironizando com a própria condição de espectador (os atores falam com a platéia), revelando em Richardson um autêntico atleta do cinematógrapho. São poucos os filmes que nos deixam a impressão de uma tão marcante euforia de fazer cinema, e que demonstram com tanto júbilo uma alegria de filmar como Tom Jones. O filme na sua pujança e potência é dum lirismo xucro, só encontrável nos grandes cineastas primitivos americanos (Griffith, Chaplin, King Vidor), e que os anêmicos cineastas modernos resolveram substituir pela contemplação demagógica do marasmo da demissão, da impotência.


