Um grande exemplo de superação é o músico multiinstrumentista Marcos Santos, de 50 anos. Muito conhecido no meio musical londrinense pelo seu talento e seu ouvido absoluto - ''dizem que eu tenho'', brinca o músico -, ele chegou a ser apelidado de ''Tom Jobim londrinense''. (O termo técnico, na verdade, é ouvido relativo, uma capacidade de identificar notas e sons e definir a tonalidade em que estão). Por causa desta facilidade, não é raro Santos ser solicitado pelos amigos para desvendar ''mistérios harmônicos'' de algumas músicas.
Cego desde o nascimento, Santos foi estudar em São Paulo para ser alfabetizado em braille e desde que começou a tocar na noite, aos 18 anos, na companhia das irmãs Márcia e Marta, adotou a musicografia braille.
Graduado em Música pela UEL, desde 1999, Santos destaca que conhecer essa notação musical para cegos foi fundamental para seus estudos e incentiva o seu aprendizado. ''Os músicos cegos muitas vezes se acomodam pela facilidade que possuem em tirar a música de ouvido. A musicografia braille permite que ele se supere, passe da fase de 'música diversão' e toque peças mais elaboradas, principalmente na área do erudito'', afirma.
Além de trabalhar como músico profissional, Santos dá aulas particulares de música e também está concluindo um curso de edição de aúdio, em que conta com o auxílio de um leitor de tela com voz sintetizada. O próximo projeto é fazer uma pós-graduação. (A.P.N.)

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