TOM JOBIM
ReproduçãoTOM JOBIM
A obra do compositor Antonio Carlos Jobim, um dos homenageados do 19º Festival de Música de Londrina, é tema de recital comentado que será apresentado pelo pesquisador e pianista Fábio Caramuru
Ranulfo Pedreiro
Há alguns chavões que transparecem toda vez que se fala de Tom Jobim. Do garotão boêmio ao amante de charutos preocupado com a ecologia, o músico é associado ao Rio de Janeiro, à admiração pela beleza feminina, porres homéricos e belas canções. Mas seu valor instrumental ainda é pouco explorado. O compositor teve uma formação sólida, frequentemente esquecida quando sua personalidade forte é evocada.
Justamente para ressaltar o lado instrumental de Tom Jobim que o pianista Fábio Caramuru apresenta hoje, às 18h30 na Associação Médica de Londrina, um recital com obras do compositor, dentro da programação do 19º Festival de Música de Londrina.
A pesquisa de Fábio sobre o maestro é séria e está rendendo uma tese de mestrado em musicologia na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo. Arquiteto formado, Caramuru sempre pendeu para a música. Estudou piano com professores de renome, como Magda Tagliaferro e Zulmira Elias-José. Seu currículo acumula várias premiações, entre elas o Grande Prêmio da APCA. Em 1997 lançou o CD Tom Jobim Piano Solo.
Minha tese avalia os aspectos da interpretação pianística, o lado instrumental de Tom Jobim que não é muito conhecido, comenta Caramuru, que está convicto em comprovar o valor musical do maestro. É uma espécie de missão em cima de um compositor que gosto muito, acrescenta.
O recital será dividido em três blocos. O primeiro, mais bossa nova, inclui Meditação, Chega de Saudade, Desafinado, Falando de Amor e Só Danço Samba. O segundo, mais intimista, traz Eu te Amo, Insensatez, Anos Dourados e Luíza. A apresentação encerra com Amparo, Chovendo na Roseira, Choro, Stone Flower e A Felicidade.
Entre os blocos, Fábio Caramuru vai comentar sobre o compositor. Tom Jobim estudou muito, teve obsessão em conhecer todos os clássicos. Mas percebo uma influência dos franceses, principalmente de Ravel e Debussy, é muito paralelo na parte harmônica e de articulação, revela. Já as influências brasileiras recaem sobre os maestros dos anos 40, das orquestrações para o rádio, como Radamés Gnatalli e Leo Peracchi.
Quanto às afirmações do crítico José Ramos Tinhorão, que vê na bossa nova muito mais jazz do que música brasileira, Caramuru discorda. É radical, a bossa nova tem influência do cool jazz na articulação do canto. Mas na verdade, ela despojou a música nacional dos exageros que vinham sendo cometidos. É superbrasileira. Para quem espera um recital virtuosístico, o pianista avisa que será contido e econômico, mais próximo do que o próprio Tom Jobim era.
Recital Tom Jobim á- Com Fábio Caramuru. Hoje, às 18h30, na Associação Médica de Londrina (Praça 1º de Maio, 130). A entrada é franca.





