ReproduçãoTom Hanks: programa estréia no Brasil em agostoTom Hanks tinha 13 anos quando Neil Armstrong e Edwin E. ‘‘Buzz’’ Adrin pisaram pela primeira vez no solo arenoso da Lua. ‘‘Lembro que estávamos todos na sala reunidos na frente da TV e eu brincava com minhas miniaturas da Apollo 11. Naquele dia, devo ter feito umas 6 mil aterrissagens imaginárias na Lua’’, conta Hanks. ‘‘A única frustração foi esperar até a TV mostrar as primeiras cenas do planeta e ouvir várias pessoas explicando o que ia acontecer. As cenas que chegaram da Lua eram cheias de sombras e a câmera estava estática’’, conclui o ator duas vezes contemplado com o Oscar (por ‘‘Filadélfia’’ e ‘‘Forrest Gump - O Contador de Histórias’’).
Embora ainda alimente a esperança de um dia ser a primeira celebridade a ver que a Terra é azul, Hanks realiza agora seu grande sonho: contar, com requintes de detalhes, a história da corrida espacial da NASA, desde a missão Mercury, em 1961, até a última visita à Lua em 1972. Hanks é o idealizador e produtor (junto com Brian Grazer e o cineasta Ro Howard) da minissérie From the Earth to the Moon (‘‘Da Terra à Lua’’), cujos 12 capítulos estão sendo mostrados pela rede a cabo HBO americana desde o último domingo e por mais cinco subsequentes, antes de o programa aterrissar na sucursal brasileira da emissora em agosto.
From the Earth to the Moon (ou FE2M, apelido dado por Hanks a série usando a abreviação do título) é o programa mais caro já produzido pela TV americana. Seu custo de US$ 68 milhões cobriu desde a contratação de 90 atores (mais 400 extras) passando pela locomoção da equipe técnica em 100 locações diferentes até a construção em estúdio do território lunar em que a Apollo 11 pousou em 1969, consumindo 3,5 toneladas de terra e 1,9 tonelada de granito moído, cenário cujos próprios consultores da NASA atestam que só será encontrado igual caso alguém pouse na Lua novamente.
Hanks, que já havia filmado com Howard e Grazer o filme ‘‘Apollo 13 - Do Desastre ao Triunfo’’, diz que quer despertar o debate com particularidades nunca antes mostradas ao público. ‘‘Minha intenção é que o telespectador veja o trabalho e diga: ‘eu não sabia disso!’’’, explica o ator. Nos dois primeiros capítulos de FE2M, Can We Do This? (Podemos Fazer Isso?) e ‘‘Apollo 1’’, Hanks cobre o compromisso do presidente americano John Kennedy com a NASA na intenção de mandar uma equipe à Lua antes dos soviéticos no final dos anos 60 e o trágico lançamento da Apollo 1, que custou as vidas dos astronautas Gus Grissom (Mark Rolston), Ed White (o cantor e ator Chris Isaak) e Roger Chaffee (Ben Marley).
Segundo a última edição da revista Time, que pertence ao conglomerado Time-Warner, que também abriga a rede HBO, a minuciosa abordagem de Hanks peca pelo ‘‘excessivo didatismo, o grande volume de informações e a falta de um vilão’’.
Cada episódio de ‘‘FE2M’’ é dirigido por um nome diferente. Hanks assina o primeiro e faz uma ponta, como ator, no último. Os outros são comandados por cineastas como David Frankel (‘‘Casos e Casamentos’’), Frank Marshall (‘‘Congo’’), Jon Turteltaub (‘‘Fenômeno’’), Gary Fleder (‘‘Beijos que Matam’’), Lili Fini Zanuck (‘‘Rush - Uma Viagem ao Inferno’’) e até pela atriz Sally Field, em sua segunda incursão por trás das câmeras (o telefilme The Christmas Tree foi a primeira). Entre os atores estão Kevin Pollack, Mark Harmon, Ted Levine, Cary Elwes, além de Rita Wilson, a esposa de Hanks. A excelente fotografia da série é assinada pelo inglês Gale Tattersall que é casado com a brasileira Theresa Rinaldi.

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