Em algum momento por volta de 1930, o professor John Ronald Reuel Tolkien estava corrigindo provas, imerso em tédio corrosivo. Foi então que notou um buraco no tapete e escreveu numa página em branco: ''Em um buraco na terra vivia um hobbit''. Esta frase é hoje considerada o início da moderna literatura fantástica.
J.R.R. Tolkien (1892-1973) era um excêntrico. Muitos de seus alunos em Oxford o consideravam simplesmente um louco, já que no meio das aulas começava às vezes a contar histórias de elfos e outros seres mágicos. Seu hobby consistia em criar, no meio da noite, novos idiomas como o ''élfico'' e desenhar mapas detalhados da Terra Média. Durante muito tempos, este perito em dialetos ingleses da Idade Média sonhou com a criação de um mito anglo-saxão, seguindo modelos das sagas alemãs e escandinavas.
Tolkien não sabia o que era essa criatura, esse hobbit, mas sua imaginação foi fornecendo as informações: uma espécie de duende com enormes pés peludos, apaixonado por boa comida e bebida, e que fuma um pequeno cachimbo, ri muito e habitualmetne quer que o deixem em paz e tranquilo. ''Eu mesmo sou um hobbit'', e começou a escrever. O livro ''O Hobbit'' estava destinado somente a seus filhos, mas acabou nas mãos de um editor que deu a um filho para ler. O garoto, de dez anos, considerou o livro genial.
A continuação da história foi escrita durante 14 anos, em boa parte com o escritor sentado numa árvore. Quando a trilogia de mil páginas foi editada em 54 e 55, acabou recusada pela crítica, que a considerou ''uma mistura de Richard Wagner com o ursinho Pooh''. Mas isso não disse nada aos leitores, e até hoje já foram vendidos entre 50 e 100 millhões de exemplares. Nos anos 60, a luta contra o malvado Sauron se converteu na bíblia hippie, o que indignava a Tolkien. ''O Senhor dos Anéis' é um livro religioso e católico'', dizia o autor, de firmes convicções religiosas.
Apesar dessa recusa, Tolkien compartilhava algumas coisas com seus fãs: odiava a vida moderna, a era tecnológica, não tinha nem televisão e nem lavadora. Para ele, como para muitos admiradores, a Terra Média, apesar das forças malignas, era um mundo melhor.

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