Todos têm seu espaço
A cada encontro, pelo menos uma dúzia de duplas se revezam no palco, para tocar três a quatro músicas cada. De cantores iniciantes a veteranos com vinil gravado, todos têm seu espaço. ''É a casa que a gente não tinha para curtir um bom sertanejo. A gente se sente bem, as pessoas são gente boa. É um ambiente sadio'', comentam os veteranos Tião Londrina & Pardianinho. ''É o lugar ideal para as duplas'', complementam Paulo Roberto & Celinho, que estão prestes a lançar seu primeiro CD.
O público também é bastante diversificado. ''Tem gente de todas as classes sociais e idades. Aqui não tem diferenças, somos todos amigos ouvindo boa música'', define o presidente da entidade.
Leonardo Massaroto Crema, 17 anos, é um exemplo dessa diversidade. Ele frequenta os encontros, junto com seu pai, há pelo menos cinco anos. E a intimidade com o sertanejo fez o jovem passar de espectador para cantor - em breve, também deve lançar um disco. ''O que eu não tenho de visão tenho de garganta'', garante o jovem, fazendo alusão a sua deficiência visual.
O jovem diz ouvir o sertanejo universitário e o de raiz com o mesmo prazer, embora o primeiro esteja mais próximo de sua realidade do que o segundo, que é menos urbano. Mas, mesmo sem aquela nostalgia que transparece na face dos espectadores diante de determinadas músicas, ele defende: ''As músicas de hoje podem fazer sucesso, mas nunca podemos nos esquecer da música de raiz, se não ela pode se acabar.''
Mesmo quem não tem instrumento tem sua chance. A entidade disponibiliza violão e viola para as apresentações. E a Cia da Viola também promove shows com cantores renomados - abertos para as mulheres. O próximo será da dupla Gilberto & Gilmar, em 31 de maio. (A.I.)





