Todos se rendem a Maceió
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domingo, 30 de março de 1997
Agência Estado 
ReproduçãoO mar é o que Alagoas tem de melhor para oferecer. Existem praias para todos os gostos, estilos e prazeres.Lagos, lagoinhas, pequenas, médias e grandes... Esta não é somente a realidade do Estado, mas a razão do nome Alagoas. A capital, Maceió, vem de maçayó, que em tupi significa o que tapa o alagadiço. E a ex-secretária de Turismo do Estado, Thereza Lira Collor de Mello, aconselha aos visitantes: Não saiam de dentro do mar. É o que Alagoas tem de melhor para oferecer.
Com tanta água assim, é impossível não mergulhar em alguma praia ou em algum rio. Tem para todos os gostos, estilos e prazeres.
No litoral norte, as praias são mais selvagens. Entre coqueirais, rios e mangues, a primeira parada obrigatória para os adeptos do surfe é a Praia de Jacarecica. Garça Torta, a que vem em seguida, fica num bucólico bairro de intelectuais. Semi-virgem, tem águas calmas e mornas.
Algumas mangueiras, mangabeiras e cajueiros adiante, em meio a enormes graviolas e seriguelas, encontra-se a Praia de Guaxuma, que em tupi quer dizer coisa que brilha. No meio da praia há uma pedra que, aos olhos indígenas, brilhava. Hoje, o que brilha em Guaxuma é a mansão dos Farias, cenário da última novela policial alagoana, onde os corpos de Suzana Marcolino e PC Farias foram encontrados. Por este motivo, Guaxuma foi incluída nos roteiros turísticos pela costa alagoana.
Alguns coqueiros à frente, a Praia de Riacho Doce, onde o poeta paraibano José Lins do Rêgo escreveu seu romance homônimo e a Rede Globo gravou uma minissérie com Vera Fischer. Este lugar rende mesmo muitos dividendos à cidade e, pelo que consta, já existe até um projeto de longa-metragem para o ilustrado pedaço.
Formas de pedra Para os mais devotos, a antiga Igreja de São Sebastião merece uma visita. Para os mais gulosos, o pé-de-moleque feito de farinha de mandioca e coco vale uma mordida.
Umas ondas para cá e um pouco de areia para lá, e estamos na Praia da Sereia. Ela leva esse nome pois bem no meio do mar há uma sereia esculpida em pedra, maliciosamente apelidada de Famunda, mistura de Fafá de Belém com Raimunda, aquela que é feia de cara e boa de coração... Uma linda sereia, escultura do pernambucano José Lorbiniano Neto. Em 8 de dezembro, como convém ao sincretismo do Nordeste brasileiro, há festa para a sereia, que é também Iemanjá e, por que não, Nossa Senhora da Conceição.
Para aqueles que preferem um prazer menos espiritual e mais concreto que as insinuantes formas de pedra da sereia, basta ancorar na praia seguinte: Pratagy. Lá, o Village Pratagy é uma opção de lazer, bom gosto e diversão. Mas custa um pouco mais. Se você não puder gastar, fique na praia mesmo, apreciando o rio que deságua sobre pedras.
Passando por mangues onde habitam moluscos como sururu, maçunim, ostra e unha-de-velho, chega-se ao antigo bairro de Ipioca. Não confunda, a pinga de mesmo nome é do Ceará. Mas lá há também cachaça para paulista nenhum botar defeito. Floriano Peixoto nasceu em Ipioca, e hoje o bairro leva seu nome.
Já no município vizinho de Paripueira, a praia de águas tranquilas, dê uma parada no Parque Nacional Marinho, onde Astro e Lua foram encontrados. E não se trata de estrelas-do-mar, mas o nome de dois peixes-bois imensos, devolvidos depois para o mar.
Ficar aperreado E para quem gosta de tirar uma soneca na areia, a Praia do Sonho Verde tem coqueiros, barracas e restaurante. Quando você acordar do cochilo e abrir os olhos dentro dágua vai se maravilhar com um imenso arrecife de corais. Enquanto isso, os meninos vendem queijo coalho à beira-mar. É gostoso e merece uma beliscada.
Mas as praias de Maceió não páram por aí. A de Pajuçara é uma ótima pedida, por causa das piscinas naturais que se formam no meio do mar. Não deixe de dar um pulo lá, principalmente de jangada, numa noite de lua cheia. Segundo o governador Divaldo Suruagy, vale ainda continuar subindo pelo litoral em direção ao norte. A Praia de Japaratinga é a preferida dele.
Há, ainda, as praias do litoral sul, pouco mais urbanizadas e com uma certa infra-estrutura, e as lagoas que merecem a sua atenção. Se não der para visitar nenhuma lagoa, pelo menos experimente o sururu, um prato feito com mariscos retirados do fundo da Lagoa do Mundaú. E aí você vai entender o que é ficar aperreado. Tudo bem, depois basta cair nágua novamente que tudo volta ao normal. Afinal, você está em Alagoas!


