Todos perdem, nesta guerra inútil
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sexta-feira, 06 de fevereiro de 2009
Carlos Eduardo Lourenço Jorge<br> Especial para a Folha2 
Desde o distante (1950) êxito da ótima comédia de Vincente Minneli, ''O Papai da Noiva'' (refeita décadas depois com Steve Martin na impossível tarefa de se colocar na pele de Spencer Tracy), inúmeras comédias tiveram como base argumental a preparação do casamento. Mas com certeza nenhuma conseguiu reunir tantos aspectos negativos como esta estreia nacional ''Noivas em Guerra'' (veja a programação de cinema na página 2).
Duas amigas de infância, a advogada Liv (Kate Hudson) e a professora Emma (Anne Hathaway) competem quanto organizam os respectivos casamentos, a serem celebrados no mesmo dia no Hotel Plaza, objeto/endereço de cobiça em New York. E nesta disputa insana, a rivalidade coloca em risco a amizade.
É de se supor que o filme seja majoritariamente destinado ao público feminino. E por isso mesmo se torna algo de difícil compreensão, já que se trata de produto retrógrado e vexatório para as mulheres - sem importar a classe social, estudos e/ou formação cultural e condição de trabalho. A dupla de casamenteiras se apresenta ao público como dois seres primários (primitivos...?), cuja única preocupação desde o nascimento até a idade adulta é que alguém as presenteie com um anel para assim poder celebrar, alto e bom som, o único momento importante de suas vidas: o casamento, e somente o culto da aparência.
Em busca deste objetivo, elas são capazes de renunciar aos melhores amigos, arruinar suas carreiras e romper com familiares. Tudo para garantir que os respectivos enlaces sejam exatamente como sonharam desde pequenas. Tal ''ideal filosófico'' de vida se traduz na tela numa sucessão de situações estúpidas e irritantes, filmadas com desavergonhada torpeza por um diretor (Gary Winick, para registro) que desconhece os recursos e engrenagens da comédia - anedotas sem graça, ritmo insosso, reviravolta final arbitrária e previsível.
Kate Hudson, que também assina a produção, aparece tão lamentável quanto insuportável. Anne Hathaway não é nada disto, e somente um agente descuidado justifica este passo atrás numa carreira ascendente - esperem para conferir na próxima semana ''O Casamento de Rachel'', isto se o multiplex do Catuaí acompanhar o ritmo da simultaneidade (duas estreias nacionais de hoje, com várias nominações agregadas, ''O Leitor'' e ''A Dúvida'', ficaram de fora do circuito local).
E como sempre acima do bem e do mal, a veterana Candice Bergen segue sendo uma grande dama, transbordante de elegância, classe e beleza como a organizadora das bodas, mesmo quando, com voz em off, vai relatando uma anódina luta para ajeitar as coisas no Hotel Plaza.


