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Foto de Alice Ramos
Bienal Internacional agenda
exposições, workshops e a
criação do primeiro Museu da
Fotografia da América do Sul
Elisa Marilia Carneiro
De 16 a 23 de agosto todas as objetivas estarão concentradas em Curitiba para a 2ª Bienal Internacional de Fotografia, que terá como um dos seus maiores eventos a criação do Museu da Fotografia. Este, que vai ser o primeiro museu especializado da América do Sul, ficará instalado no Solar do Barão.
Pablo Neruda fotografado por Sara Facio
Já com um acervo de 1.500 imagens de fotógrafos renomados, o Museu da Fotografia adquiriu mais 150 fotos dos profissionais que vão expor na 2ª Bienal, e calcula receber em doação cerca de outras 700. ‘‘O Museu de Fotografia vai dividir o espaço com o Museu da Gravura, a Gibiteca, o Centro de Documentação e Pesquisa, além do espaço já conquistado pela Música, no Solar do Barão’’, disse a presidente da Fundação Cultural, Margarita Sansone. Para tanto, o local está sendo reestruturado.
Com curadoria do fotógrafo Orlando Azevedo e realização da Prefeitura de Curitiba através da Fundação Cultural, a 2ª Bienal deve envolver nas suas 39 exposições cerca de 2 mil imagens - todas as fotografias da mostra internacional são inéditas - uma mostra nacional, 18 workshops, debates e lançamentos de livros. ‘‘Para esta Bienal teremos uma verba de R$ 350 mil, mas deste total está de fora o catálogo, para o que ainda estamos procurando parceria. Precisamos de pelo menos R$ 50 mil’’, anuncia Azevedo.
Foto de Mila JungEntre os profissionais brasileiros presentes nas exposições estão Hélio Oiticica, o pai dele e também fotógrafo José Oiticica, Pedro Martinelli, Araquém Alcântara, Cássio Vasconcelos, Cláudia Andujar, Emílio Luisi, Evandro Teixeira, German Lorca, Lalo de Almeida, Manoel da Costa, Rosa Gauditano, Joaquim Paiva, Márcio Scavone, Ella Durst, João Roberto Ripper, Bóris Kossoy, além dos paranaenses Vilma Slomp, Maurílio Chelli, Lina Faria e Ricardo Almeida. Vários dos fotógrafos estarão pela primeira vez em Curitiba.
Foto de Márcio ScavoneNas exposições de fotógrafos internacionais, estarão presentes a coletiva dos famosos fotógrafos da recessão americana dos anos 30, ‘‘Farm Security’’; a fotografia do chinês Chen Bao Cheng, repórter que conviveu com a dialética imposta pela revolução cultural; a mostra ‘‘Murmúrios do Tempo’’, pertencente ao Centro Português de Fotografia; Sara Facio, da Argentina, que vai mostrar 30 registros que fez de escritores hoje reconhecidos mundialmente; uma coletiva argentina, ‘‘Fotografia Argentina a Fin de Siglo’’, de vários fotógrafos argentinos contemporâneos; e uma coletiva do Chile, Uruguai e Paraguai.
‘‘Todos estes fotógrafos são de muita expressividade, os temas convergem para o ofício da profissão. Não há um tema específico para a Bienal, mas a fotografia como profissão, aquela que tem musicalidade’’, afirma Azevedo. Ele reconhece a importância dos fotógrafos brasileiros, que mesmo não tendo no País um curso superior de fotografia, são profissionais de renome internacional. ‘‘Cerca de 90% têm curso superior, mas não de fotografia’’, explica. O primeiro curso superior está sendo formado no Senai em São Paulo.
Foto de Maurílio ChelliEntre os registros fotográficos mais comentados pelos repórteres fotográficos estão Cláudia Andujar, que traz uma retrospectiva do seu trabalho com o povo Yanomami (ela vai doar 85 registros para o Museu da Fotografia); uma coletiva dos melhores momentos da Copa do Mundo 98, ainda inéditos; o pioneiro em fotos publicitárias, German Lorca; Pedro Martinelli, conhecido como o homem da Amazônia; e Hélio Oiticica, o artista plástico e performático neoconcretista brasileiro.

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